De pai pra filho: família Flores conta sua trajetória dentro do Corpo de Bombeiros

O ex-comandante geral do CBMAC, José Alberto Flores da Silva, revela a emoção de ter comandado seu filho Victor Rocha Flores da Silva durante seu tempo de serviço

O Dia Internacional dos Bombeiros é comemorado em 4 de maio desde sua criação. A data remete ao padroeiro da profissão, São Floriano, oficial das forças romanas responsável por criar um grupo especializado no combate a incêndios, uma inovação para a época.

Pai e filho dividem sua dedicação ao corpo de bombeiros/Foto: Cedida

No estado do Acre, o Corpo de Bombeiros existe há 51 anos. A corporação conquistou sua autonomia em 1991, no dia 18 de dezembro, quando foi oficialmente emancipada, completando 34 anos de autonomia em 2025. A data foi oficializada no ano de 2013 através da Lei  nº 2.698, de 29 de janeiro.

No entanto, uma instituição vai além de documentos e datas: são as pessoas e suas histórias que verdadeiramente definem sua trajetória, e com o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC) não é diferente.

Remontando ao tempo em que São Floriano atuava, entre os séculos III e IV, muitos ofícios eram passados de pai para filho. Ainda hoje, há histórias que seguem esse mesmo caminho. Victor Rocha Flores da Silva, de 32 anos, atua como bombeiro há 11 anos e é filho de José Alberto Flores da Silva, antigo comandante geral do CBMAC, que ingressou na corporação justamente em 1991, ano da emancipação institucional, após ser aprovado em concurso público.

Segundo a assessoria do CBMAC, a emancipação representou um marco importante para a corporação.

“A instituição caminhou vagarosamente e com dificuldades, não pelo fato de ser orgânica à PMAC, mas pela conjuntura político-administrativa, que a colocava em uma espécie de ostracismo, pouco aparecendo como instituição essencial no atendimento à população. Além disso, o estado do Acre não apresentava grandes índices de desenvolvimento e progresso”, relatou a assessoria.

O pai recorda que a autonomia era um desejo antigo dos bombeiros da época.

“A certeza de que a autonomia do CBMAC nos tornaria mais aguerridos e comprometidos era clara. Quem ganharia com isso seria a segurança da sociedade, com quartéis fixos, serviços de qualidade e equipamentos adequados às diversas operações. Foi um marco importante, com a lei de fixação de efetivo. Com a contribuição de cada comandante, o CBMAC se tornou o que é hoje.”

O ex-comandante tomou posse como sargento com sua mãe ao lado/Foto: Cedida

José Alberto relata que ser bombeiro não era um sonho de infância, mas uma escolha consciente.

“Minha escolha em servir no CBMAC não foi simplesmente um desejo ou sonho de infância. Naquela época, como jovem do interior, eu sabia pouco sobre as atividades de bombeiros. Escolhi o CBMAC por acreditar que poderia fazer a diferença.”

Seu filho, Victor, se inspirou na trajetória do pai.

“Ele sempre foi um exemplo de homem, pai, esposo e profissional. Vê-lo atuando com honra, ética e profissionalismo, seguindo o lema ‘vidas alheias, riquezas salvar’, foi determinante para que eu quisesse seguir seu exemplo.”

Ao longo das décadas, diversas operações marcaram a história da corporação e de seus integrantes. Victor menciona duas ocorrências marcantes em sua trajetória.

“Uma delas foi a Operação Madeira de 2014. Fui convocado para integrar uma equipe de oito bombeiros, com a missão de balizar os limites da BR-364 e auxiliar na passagem de carretas e caminhões com suprimentos. Nossas fronteiras estavam fechadas por causa da cheia do rio Madeira. Foram 28 dias longe da família, amigos e conforto de casa.”

O pai acompanhou com orgulho essa atuação do filho.

“Afirmo com alegria e orgulho o pouco que vivi ao lado do soldado Victor Flores, em meio à imensidão do transbordamento do rio Madeira, que culminou com o bloqueio da BR-364 e o desabastecimento do nosso estado.”

Victor também relembra um episódio mais pessoal e emocional. Um cilindro de acetileno explodiu em uma residência próxima à sua casa, no bairro Manoel Julião. Ele foi um dos primeiros a chegar.

“Precisei aplicar tudo o que aprendi no curso de formação: controlar o emocional e garantir a segurança das pessoas presentes. Não é fácil se desvincular das emoções em situações extremas, mas quando vestimos a farda e entendemos o contexto da ocorrência, algo muda. Simplesmente agimos e resolvemos.”

O pai diz sentir orgulho de ver o filho seguindo seus passos/Foto: Cedida

Ele também relembra com orgulho o período em que trabalhou sob o comando do pai.

“Felizmente tive essa honra. Durante o meu curso de formação, meu pai foi convidado a comandar o CBMAC. Em diversos setores, ouvia elogios sobre as melhorias trazidas por ele e seu profissionalismo. Isso foi motivo de muito orgulho e inspiração. Espero contribuir tanto quanto ele contribuiu para a corporação e trilhar uma trajetória tão honrosa quanto a dele.”

Por fim, José Alberto enfatiza a importância da instituição, que desde 1991 atua de forma autônoma no estado do Acre.

“É difícil imaginar o estado sem o CBMAC. Homens e mulheres que abdicam e doam suas vidas, saúde, juventude, que se ausentam de seus filhos em nome do bem comum, sem olhar a quem — branco, negro, católico ou protestante. Quando a sirene toca, não importa quem seja. O que importa é devolver o fôlego que foge naquele momento”, concluiu emocionado.

PUBLICIDADE