“O Dia do Trabalho” ou “Dia do Trabalhador”, celebrado em boa parte do mundo a cada 1º de maio, não é uma data festiva ou uma graciosidade dos patrões em relação aos seus empregados. A data lembra uma época em que o trabalhador não dispunha de direitos mínimos e, quando foi reclamá-los, acabou massacrado, preso ou morto. Portanto, a data celebrada internacionalmente remete à luta histórica dos trabalhadores para conquistar melhores condições de trabalho.

a data celebrada internacionalmente remete à luta histórica dos trabalhadores para conquistar melhores condições de trabalho/Foto: Arquivo
A origem está vinculada ao movimento grevista puxado por trabalhadores norte-americanos em Chicago, no final do século XIX, que lutavam por valorização e melhores condições de trabalho. Na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, no final do século XIX, os trabalhadores decidiram iniciar um movimento em defesa da redução da jornada para oito horas, revela trabalho acadêmico do professor Daniel Neves Silva, formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
Ele conta que a realidade dos trabalhadores norte-americanos e de todo o mundo, na época, era duríssima, e era comum as jornadas de trabalho serem de 12 horas por dia. Para garantir a redução do extenuante expediente, os trabalhadores da cidade de Chicago organizaram aquela greve mencionada no início, para o 1º de maio de 1886. Estima-se que a greve geral puxada pelos trabalhadores de Chicago mobilizou 340 mil trabalhadores por todo os Estados Unidos.
A paralisação seguiu pelos dias seguintes, e alguns incidentes foram registrados contra trabalhadores em greve. No dia 3 de maio, alguns deles foram mortos por policiais, e, no dia seguinte, milhares se reuniram na Praça Haymarket para protestar. O protesto, que era para ser pacífico, tornou-se um grande massacre promovido pela polícia norte-americana.
Tudo começou quando uma bomba explodiu perto de alguns policiais, causando a morte de sete deles e de quatro civis. Em seguida, os policiais presentes na praça deram início a uma violenta repressão que resultou na prisão de muitos trabalhadores. Estima-se também que mais de 100 trabalhadores ficaram feridos. Ninguém sabe quem lançou a bomba, mas especula-se que membros da própria polícia podem ter tomado a atitude para justificar a violência contra os trabalhadores.
De toda forma, o dia 1º de maio se popularizou como Dia do Trabalhador em referência à greve geral puxada pelos trabalhadores de Chicago. A data passou a ser homenageada por grupos socialistas, que procuravam lembrar a luta dos trabalhadores. A data se consolidou em 1919, quando a França alterou a jornada diária para oito horas e transformou o 1º de maio em feriado. No ano seguinte, a União Soviética também passou a celebrar essa data.
No Brasil, a data passou a ser celebrada informalmente por trabalhadores no começo do século XX e tornou-se oficial durante o governo de Artur Bernardes. A data foi amplamente explorada durante a Era Vargas, sendo parte do projeto político do então presidente Getúlio Vargas. Atualmente, o 1º de maio é feriado nacional por determinação de uma lei de 2002, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio da Silva, que entrou para a vida pública do país como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo, liderando as maiores greves de trabalhadores de que se tem notícia no país, no final dos anos de 1970.
O 1º de maio é, portanto, feriado nacional assegurado pela lei nº 10.607, de 19 de dezembro de 2002, que determina que o país tem sete feriados nacionais, sendo o dia 1º de maio um deles. Apesar da lei, o Dia do Trabalhador já havia sido transformado em feriado durante a Primeira República.
Isso aconteceu durante o governo de Artur Bernardes (1922-1926), por meio do decreto nº 4.859, de 26 de setembro de 1924. Na ocasião, foi criado o feriado nacional em comemoração aos “mártires do trabalho”. No entanto, a celebração do Dia do Trabalhador já era realizada no Brasil desde a década de 1910. A data, no entanto, tinha um significado político, sendo marcada por protestos e movimentos organizados por trabalhadores.
Nos dias atuais, o 1º de Maio é, sim, um dia de festas, mas também é uma data para reforçar a luta dos trabalhadores do presente e a necessidade contínua de se estabelecer condições dignas de trabalho e salários justos.
