Herdeiro político do governador Edmundo Pinto, assassinado há 33 anos no exercício do mandato num quarto de hotel em São Paulo, seu filho, o ex-vereador por Rio Branco Rodrigo Pinto, que chegou a ser pré-candidato a governador do Acre pelo MDB nas eleições de 2014 e que hoje vive nos Emirados Árabes Unidos e se apresenta em suas redes sociais como Edmundo Pinto Filho, acaba de dizer que se sente mais livre vivendo no país regido por uma monarquia do que no Brasil, “com sua democracia ocidental”.
Aos 45 anos de idade e há dez vivendo sob o regime de um país governado por um príncipe (emir) de poder absoluto, o acreano Rodrigo Barbosa de Almeida, que em suas vindas ao Brasil tem demonstrado admiração pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, revelou:
– “Vivo nos Emirados Árabes há quase 10 anos. E sabe o mais louco? Aqui, ‘num país sem democracia ocidental’, eu me sinto mais livre, seguro e respeitado do que no Brasil” – disse.
Segundo ele, no Brasil, “no nosso país o sistema é vendido como democrático. Mas é manipulado, tendencioso, e serve a um só lado”.
Edmundo disse que hoje, “a esquerda domina” o governo e o país e, por isso, “incentiva o crime, protege bandidos, destrói valores e afunda o povo na ignorância”. O pior é que, segundo o filho mais velho dos três de Edmundo Pinto com dona Fátima Barbosa (do casamento também nasceram Pedro e a caçula Nuana), “usa o discurso da ‘defesa do estado democrático de direito’ como desculpa para implantar um regime ditatorial de pensamento único”, onde há, segundo ele, “censura, perseguição e manipulação da Justiça – tudo isso travestido de liberdade”.
Para Rodrigo Pinto, “o bem do Brasil começa com o fim da esquerda”. E conclui: “Pode escrever: o mal nunca vai vencer”.
Rodrigo Pinto vive nos Emirados Árabes como treinador de artes marciais e chegou a ser treinador do serviço de segurança do governo, desenvolvendo aulas de jiu-jítsu, judô, boxe, kung fu e lutas com uso de facas, adagas e outras armas brancas. A vida do treinador como mestre de várias modalidades de lutas ia bem até que, em 2023, numa visita à sua mãe, no Rio de Brasileiro, apesar de sua compleição de atleta, Rodrigo Pinto passou mal e teve que ser submetido a uma delicada cirurgia no coração. Depois de atravessar longo período de internação e de cuidados médicos no Brasil, voltou ao país do Golfo Pérsico e às atividades marciais.
Sempre faz postagens em suas redes sociais comentando a política no Brasil, de cujo regime de governo passou a ser crítico. Os Emirados Árabes, cujo regime político e de governo é destacado por aquele que deveria ser o herdeiro político dos ideais interrompidos de Edmundo Pinto, são um país formado por 7 emirados (principados): Sharjah, Ajman, Umm al-Quwain, Ras al-Khaimah, Fujairah, dos quais os mais conhecidos são Abu Dhabi e Dubai.
Cada um deles é formado por algumas cidades e governado com poder absoluto por seu respectivo emir (príncipe).
De acordo com o Guia em Dubai (Country Meters and Political System and Santander Trade; and Constitution of 2004 and judicial system), os Emirados Árabes Unidos são considerados uma monarquia absoluta devido ao poder centralizado em sete famílias monárquicas. Seria tal e qual se o Brasil fosse uma monarquia e cada estado fosse governado por um príncipe. Assim, os emires compõem o Conselho de Estado liderado pelo presidente, que é o monarca da capital Abu Dhabi, e o primeiro-ministro comanda Dubai. Logo, além de ser uma monarquia absoluta, o país tem a característica do federalismo por causa dessa divisão em unidades administrativas autônomas.
O Legislativo é exercido pelo parlamento, um órgão de consulta formado por 20 membros eleitos pelo povo e outros 20 indicados pelos emires, ambos para mandatos de 4 anos. Além disso, a Constituição requisita que alguns emirados tenham mais parlamentares do que outros. Esse é o caso de Dubai e Abu Dhabi, que elegem 8 parlamentares cada. As eleições por lá são baseadas em candidatos avulsos e não em partidos políticos, já que os mesmos são proibidos.
O Executivo federal é formado, em primeiro lugar, pelo presidente (chefe de Estado), o primeiro-ministro (chefe de governo) e os ministros de Estado. O primeiro-ministro e os ministros de Estado são indicados pelo presidente, que, por sua vez, é indicado pela Suprema Câmara Federal, um órgão formado pelos sete emires que se reúnem 4 vezes ao ano. Desses sete, os emires de Abu Dhabi e Dubai são os mais importantes: possuem poder de veto em discussões da Suprema Câmara Federal, como a própria eleição presidencial. Nos Emirados, a formação de partidos é crime.
Quando os sete emires se reúnem na Suprema Câmara Federal, escolhem um deles para ser presidente por 5 anos, sem limite de mandatos. Embora o cargo de emir seja hereditário, os de presidente e primeiro-ministro teoricamente não são assim, são escolhidos. Apesar disso, os emires de Dubai e Abu Dhabi sempre ocuparam esses dois cargos – respectivamente, primeiro-ministro e presidente –, mantendo a linha sucessória da família monárquica.


