Investigações da Polícia Federal sobre a facção Comando Vermelho (CV) no apoio aos presidiários acreanos do presídio federal de Mossoró, interior do Rio Grande do Norte, Deibson Cabral Nascimento e Rogério da Silva Mendonça, apontaram que os envolvidos cometeram uma série de crimes, incluindo torturas. A constatação das ocorrências levou a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) ao traficante apontado como líder do Comando Vermelho (CV) no Rio Grande do Norte, conhecido como João Carlos de Almeida Bezerra, o JC ou Dog, o homem por trás da sigla CV e seus históricos de crimes.

A dupla foi presa 50 dias de buscas/ Foto: Reprodução
Ao seguir os rastros dos fugitivos acreanos, que escaparam do presídio numa fuga inédita na história dos presídios federais, em fevereiro de 2023, e passaram mais de um mês tentando atravessar o país rumo à Bolívia, a PF criou a Operação Red Dots, deflagrada pela Ficco no último dia 11 de março. A operação identificou o principal líder do CV no Rio Grande do Norte, mas admite que ele ainda está foragido. Ao pedir a prisão do criminoso à Justiça, a PF cita a prática de crimes como organização criminosa armada, tráfico de drogas e de armas, e lavagem de dinheiro.
“Além disso, outros elementos contidos nas informações policiais produzidas apontam para a prática de crimes de homicídio e tortura”, diz comunicado da PF no pedido. A suspeita de crimes de tortura se deu após a PF encontrar vídeos armazenados pelos integrantes da célula do Comando Vermelho.
Em um deles, que parece a transmissão de uma videochamada, uma pessoa é espancada e submetida a vários castigos que configuram crimes de tortura.
A PF também aponta no pedido a “postura de combate e resistência às forças estatais” do grupo liderado por JC. Áudios encontrados pela PF mostram que JC está escondido em uma comunidade do Rio de Janeiro e que esperava uma operação no local após a prisão dos envolvidos na fuga em Mossoró.
“Nós é guerra com Estado até a última hora, se vier, vai levar muito tiro, meu fi, as liderança tudim já disse, tu aqui num arreda o pé, nem você nem ninguém, se vier, meu fi, é aço por cima de aço, já fechamos a favela todinha, já botamos os pneu nas barricada, o fuzil já tá no óleo, tô com 12 pente aqui, fora as bala solta, 12 granada, a pistola com mais 10 pente”, diz JC em um dos áudios.
