O promotor de Justiça Efraim Mendonça, responsável pela acusação contra o empresário Tarcísio Araújo — denunciado por feminicídio após a morte de sua esposa, a cantora Nayara Vilela —, afirmou que o Ministério Público do Acre (MPAC) espera que o acusado seja levado a júri popular após a audiência de instrução que acontece nesta quinta-feira (8), no Fórum Criminal de Rio Branco.
A audiência pode se estender até esta sexta-feira (9), quando a Justiça deverá tomar uma decisão sobre o julgamento de Tarcísio.
“Obviamente, buscando essa pronúncia, ao final teremos — e o MPAC espera por isso, até por justiça — que esse caso seja levado ao Tribunal do Júri, que irá dar uma resposta a esse caso de violência contra a mulher”, afirmou o promotor.
Questionado sobre a pena que pode ser aplicada a Tarcísio, o promotor disse que ela deve ser elevada e fez um apelo às mulheres e familiares de vítimas de violência.
“A pena por feminicídio é elevada, não é baixa. Nós estamos buscando uma pena exemplar, prevista para o caso. É isso que o MPAC busca: que esse caso sirva como luz. Eu convoco todas as mulheres que hoje sofrem violência, que são vítimas de violência, que denunciem. Eu convoco os pais também, que veem as filhas sendo maltratadas. A Nayara tinha um pai, uma mãe. Então, que a família denuncie quando a filha não quiser denunciar. Que esse caso seja luz para as mulheres”, pontuou.
“Estamos em defesa da Nayara e de todas as mulheres. Nós acreditamos na verdade e no sangue que foi derramado. Estamos buscando justiça para ela e todas as vítimas que sofrem violência diariamente”, concluiu.
Entenda o caso
Nayara Vilela, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro no peito na noite de segunda-feira, 24 de abril de 2023, em sua residência no bairro Placas, em Rio Branco (AC). Acreana de coração, Nayara era natural do Mato Grosso, mas escolheu o Acre para expandir sua carreira. Ela ficou conhecida pelo talento que demonstrava nos palcos das noites acreanas, em diversos eventos.
Antes da tragédia, a cantora chegou a gravar vídeos discutindo com o marido e apontando uma arma para si mesma. Com base nas imagens, a Polícia Civil indiciou o empresário, entendendo que ele teria instigado e incitado o suicídio da artista.
Tarcísio Araújo foi indiciado por feminicídio em dezembro de 2023. O MPAC ofereceu denúncia contra ele em abril do mesmo ano, designando três promotores de Justiça para acompanhar as investigações sobre a morte da cantora.

