Avistado com frequência em rios e lagos fora da Amazônia, que não deveria ser comum, o pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo e característico da região, tem preocupado pesquisadores e autoridades ambientais.
Natural da bacia amazônica, o peixe tem se espalhado por ao menos cinco estados: São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Fora de seu habitat, ele é classificado como espécie exótica e potencialmente invasora, capaz de impactar negativamente o equilíbrio ecológico de ecossistemas aquáticos.
Pescadores capturam pirarucu gigante em São Paulo/ Foto: Rede Social
Enquanto seu tamanho impressiona, podendo ultrapassar dois metros, sua presença fora da Amazônia preocupa por representar uma ameaça à biodiversidade aquática brasileira.
Especialistas alertam que, em regiões onde não há predadores naturais, o pirarucu pode se tornar uma ameaça para a fauna local. A pesquisadora Lidiane Franceschini, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que o animal pode levar à extinção de espécies nativas, principalmente invertebrados aquáticos e outros peixes com os quais compete por alimento e espaço.
O risco é tão significativo que, em estados como São Paulo, há orientações claras para que, ao ser capturado, o peixe seja removido do ambiente. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do estado, os exemplares devem ser encaminhados a instituições de pesquisa ou mantidos em cativeiros autorizados.
A expansão da espécie já foi confirmada em diversos pontos. Em Minas Gerais, o pirarucu foi registrado no Lago de Furnas, em Guapé, e no Rio Grande, na divisa com São Paulo. No interior paulista, cidades como Cardoso e Mira Estrela relatam aparições quase diárias do peixe.
Na região Centro-Oeste, exemplares foram identificados nos rios Cuiabá e Paraguai, que integram a Bacia do Prata, além dos rios Teles Pires e Juruena, no Mato Grosso. Em 2024, o governo mato-grossense autorizou a pesca da espécie nessas áreas, como forma de controle.
