O presidente do Banco Central (BC), Gabriel GalĂpolo, disse, nesta sexta-feira (23/5), que nunca teve âmuita simpatiaâ por mudanças no Imposto sobre OperaçÔes Financeiras (IOF), tributo que incide sobre operaçÔes de crĂ©dito, cĂąmbio e seguro.
As medidas anunciadas pelo MinistĂ©rio da Fazenda nessa quinta-feira (23/5) provocaram repercussĂŁo negativa no mercado financeiro e, por causa dessa repercussĂŁo, o governo decidiu revogar parte das mudanças apenas poucas horas apĂłs o anĂșncio. As mudanças foram anunciadas pelo ministro Fernando Haddad na noite de quinta e detalhadas pelo prĂłprio titular na manhĂŁ desta sexta, antes da abertura do mercado.
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âTomei conhecimento do tema especĂfico que nĂŁo foi bem recebido, o IOF sobre remessas, assim como todo mundo na entrevista coletiva. Tomei conhecimento sobre esse detalhe no anĂșncioâ, disse GalĂpolo no XI SeminĂĄrio Anual de PolĂtica MonetĂĄria, organizado pelo Centro de Estudos MonetĂĄrios do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), no Rio de Janeiro.
âEm debates anteriores, hĂĄ um tempo atrĂĄs, em qualquer momento em que se discutia a alternativa do IOF como alternativa para a persecução da meta, eu, pessoalmente â para usar um eufemismo â nunca tive muita simpatia sobre a ideia, para nĂŁo dizer que eu nĂŁo gostava da ideiaâ, completou GalĂpolo.
Ele, porĂ©m, frisou que suas visĂ”es nĂŁo sĂŁo determinantes para as decisĂ”es de polĂtica fiscal. âNĂŁo implica nenhum tipo de ingerĂȘncia ou reflexo sobre o que a Fazenda deve fazerâ.
Em seguida, GalĂpolo, que foi secretĂĄrio-executivo de Haddad nos primeiros meses de 2023, disse que o ministro foi âgentil e honestoâ ao esclarecer esses pontos tanto nesta sexta quanto no tuĂte dele.
Por fim, GalĂpolo ressaltou ter ficado âclaroâ que objetivo da Fazenda era perseguir e atender a meta fiscal, de dĂ©ficit zero em 2025.
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Presidentes do Senado e da CĂąmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, alĂ©m dos Ministros de Estado Fernando Haddad e Simone Tebet participam de solenidade de comemoração dos 60 anos do Banco Central ao lado do presidente da instituição Gabriel GalĂpolo
VINĂCIUS SCHMIDT/METRĂPOLES @vinicius.foto
Presidentes do Senado e da CĂąmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, alĂ©m dos Ministros de Estado Fernando Haddad e Simone Tebet participam de solenidade de comemoração dos 60 anos do Banco Central ao lado do presidente da instituição Gabriel GalĂpolo
VINĂCIUS SCHMIDT/METRĂPOLES @vinicius.foto
Presidentes do Senado e da CĂąmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, alĂ©m dos Ministros de Estado Fernando Haddad e Simone Tebet participam de solenidade de comemoração dos 60 anos do Banco Central ao lado do presidente da instituição Gabriel GalĂpolo
VINĂCIUS SCHMIDT/METRĂPOLES @vinicius.foto
GalĂpolo foi ouvido pelo Planalto
O MetrĂłpoles, na coluna de Igor Gadelha, apurou que o PalĂĄcio do Planalto ouviu o presidente do Banco Central antes do anĂșncio do recuo. Fora da agenda, GalĂpolo se reuniu na sede do Planalto com Rui Costa. Na conversa, o presidente do BC deixou claro ao ministro ser contrĂĄrio ao decreto.
Sem mencionar essa reuniĂŁo, GalĂpolo disse que nĂŁo foi presencialmente ao Rio e participa do evento por videoconferĂȘncia porque avaliou que âera pouco adequado para minha agenda conseguir o deslocamentoâ.
Os recuos
O primeiro recuo do MinistĂ©rio da Fazenda diz respeito Ă s aplicaçÔes de investimentos de fundos nacionais no exterior. Originalmente, a alĂquota para tal movimentação era zero. Com as mudanças anunciadas nessa quinta, foi implementada a taxação equivalente a 3,5%. Com o recuo divulgado, o IOF volta, portanto, a nĂŁo incidir sobre esse tipo de transação.
O segundo ponto refere-se Ă cobrança de IOF sobre remessas ao exterior por parte de pessoas fĂsicas. O MinistĂ©rio da Fazenda esclareceu que as remessas destinadas a investimentos continuarĂŁo sujeitas Ă alĂquota atualmente vigente de 1,1% â ou seja, sem alteraçÔes.
âEste Ă© um ajuste na medida â feito com equilĂbrio, ouvindo o paĂs, e corrigindo rumos sempre que necessĂĄrioâ, explixou a pasta, em publicação no X.

