Claudia Sabino
Advogada
A manutenção de empregados formais representa um desafio significativo para as empresas no Brasil. Custos elevados com encargos sociais, instabilidade econômica, transformação digital e uma legislação trabalhista complexa são obstáculos à sustentabilidade empresarial. A carga tributária sobre a folha de pagamento, especialmente para empresas fora do Simples Nacional, pode superar 75% a 100% do salário nominal. Mesmo para aquelas no Simples Nacional, os encargos chegam a 33% sobre o salário bruto, o que se soma às contribuições para INSS, FGTS, PIS/PASEP e outros benefícios necessários para atrair os bons profissionais.
Além dos altos custos tributários, as empresas enfrentam desafios na busca por mão de obra qualificada, apesar das taxas de desemprego. Deficiências no sistema educacional e rápidas mudanças tecnológicas contribuem para a escassez de talentos, elevando os custos de salários e treinamento. A alta rotatividade não apenas impacta a produtividade, mas também a competitividade das empresas.
Claudia Sabino
Advogada
Segundo pesquisas recentes, aproximadamente 60% das empresas brasileiras relatam dificuldades na contratação ou retenção de profissionais adequados às suas necessidades, com setores específicos como construção civil e tecnologia enfrentando desafios ainda mais acentuados.
Além disso, há de ser considerado que o ambiente regulatório brasileiro é complexo e oneroso. A legislação trabalhista, apesar das recentes reformas, continua sendo uma das mais extensas e detalhadas do mundo, impondo às organizações a necessidade de manter estruturas robustas para garantir a conformidade legal de suas operações.
As pequenas e médias empresas enfrentam desafios ainda maiores devido a limitações financeiras, operando com margens reduzidas e acesso limitado a crédito. Isso as torna especialmente vulneráveis aos custos e complexidades da gestão de recursos humanos, com custos fixos de conformidade representando uma proporção significativa do faturamento.
Para mitigar esses desafios, são necessárias reformas estruturais que reduzam encargos e simplifiquem o sistema tributário. Propostas incluem substituir encargos sobre a folha por tributos sobre o faturamento e expandir programas de desoneração, além de simplificar obrigações trabalhistas.
Acrescente-se que as empresas também podem desenvolver estratégias adaptativas, como flexibilização nas relações de trabalho, em conformidade com a legislação, revisão de políticas de remuneração e adoção de tecnologia na gestão de pessoas. A especialização em atividades de alto valor agregado também é uma tendência.
A manutenção de empregados formais no Brasil é um desafio complexo, influenciado por fatores tributários, legais, econômicos e de gestão. Superar esses desafios requer reformas estruturais, adaptação estratégica e investimento em cultura organizacional e responsabilidade social, fundamentais para o desenvolvimento econômico e social do país.
