Dois homens foram presos nesta quarta-feira (30), em São Sebastião, no Agreste de Alagoas, suspeitos de aplicar o golpe do bilhete premiado que causou um prejuízo de R$ 250 mil a uma idosa de 72 anos, em Maceió. A prisão ocorreu durante uma operação integrada das Polícias Civis de Alagoas e da Bahia, com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O crime aconteceu no dia 23 de abril, no bairro do Farol, quando a vítima foi abordada na rua por dois estelionatários. Segundo o delegado Dalberth Pinheiro, responsável pela investigação, os suspeitos integram um grupo criminoso especializado nesse tipo de golpe e já têm passagens por estelionato em outros estados. Um deles possuía um mandado de prisão em aberto, com pena superior a 31 anos.

Já foram registrados cerca de 150 golpes em menos de dois meses/Foto: Reprodução
De acordo com a polícia, os golpistas se passam por pessoas comuns e utilizam técnicas teatrais para enganar as vítimas. “Eles chegam a fazer cursos de teatro para melhorar o poder de convencimento. Um deles finge ser Testemunha de Jeová, o outro se apresenta como um cidadão comum”, explicou o delegado.
Como funciona o golpe?
O esquema segue um roteiro bem definido:
- Um dos golpistas aborda a vítima dizendo ter encontrado um bilhete premiado, mas que, por razões religiosas, não pode resgatar o prêmio.
- Ele então propõe vender o bilhete por um valor muito abaixo do que supostamente vale, alegando que não deseja o dinheiro.
- Nesse momento, outro criminoso entra em cena, fingindo ser um transeunte qualquer. Ele sugere dividir o valor da compra com a vítima, convencendo-a a entrar no acordo.
- A proposta parece vantajosa: por exemplo, um bilhete que renderia R$ 5 milhões seria vendido por R$ 500 mil, cabendo R$ 250 mil a cada um.
- A vítima, iludida com a promessa de lucro, faz transferências bancárias em várias agências enquanto é acompanhada pelos criminosos.
- Após receberem o dinheiro, os golpistas desaparecem.
A idosa, segundo a investigação, realizou diversas operações bancárias em diferentes locais até atingir o valor total de R$ 250 mil.
Durante a prisão, foram apreendidos celulares, pequenas quantidades de drogas, dólares em espécie e o carro utilizado pelos suspeitos. Para o delegado Dalberth Pinheiro, o caso demonstra o nível de sofisticação e experiência do grupo criminoso. “Eles sabem explorar a vulnerabilidade emocional da vítima e agem com extrema frieza”, afirmou.
As investigações continuam para identificar outros integrantes da quadrilha e verificar a existência de mais vítimas em outros estados.
