Imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida, destinados a famílias de baixa renda, foram invadidos e transformados em ponto de apoio do crime organizado em Teresina (PI). A facção Bonde dos 40 expulsou moradores de ao menos 30 apartamentos no conjunto habitacional Torquato Neto, na zona sul da capital, e usou os imóveis para esconder fugitivos, vender drogas e realizar reuniões criminosas.
A situação foi contida nesta terça-feira (7), após uma operação conjunta das polícias Civil e Militar do Piauí com apoio da Guarda Municipal. A ação, batizada de “Operação Retomada”, resultou na prisão de 20 pessoas. Durante o cumprimento dos mandados, armas e munições foram apreendidas em diversos apartamentos ocupados irregularmente.
A facção Bonde dos 40 expulsou moradores de ao menos 30 apartamentos no conjunto habitacional Torquato Neto / Reprodução
De acordo com a polícia, a quadrilha já havia promovido festas com churrasco no local e até divulgado vídeos em que abate um boi roubado dentro de um dos imóveis. Moradores que resistiam ou tentavam denunciar a ação criminosa eram coagidos a permanecer em silêncio.
O grupo também foi responsável pela morte de Bartolomeu Gabriel Oliveira Gomes, conhecido como Bartô, integrante do PCC. Ele foi sequestrado, torturado e executado no mesmo conjunto habitacional após ser identificado por meio do chamado “raio-X”, uma espécie de julgamento interno da facção, segundo explicou o delegado Charles Pessoa, coordenador do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
A facção Bonde dos 40, originária do Maranhão, tem ampliado sua presença no Piauí, onde disputa território com rivais como o PCC. Denúncias de invasões e ameaças vinham sendo feitas há meses por moradores do Torquato Neto. O caso mais grave ocorreu no último dia 15, quando um atentado a tiros foi registrado contra o apartamento de um policial militar. A tentativa de invasão ao imóvel foi vista como um sinal claro da ousadia do grupo.
A facção Bonde dos 40, originária do Maranhão, tem ampliado sua presença no Piauí, onde disputa território com rivais como o PCC / Reprodução
Ao todo, cerca de 200 agentes participaram da operação, que cumpriu mandados em 144 apartamentos. Além da retirada dos criminosos, a polícia planeja medidas como a remoção de pichações da facção para aumentar a sensação de segurança dos moradores e retomar o controle da área.
Segundo o delegado Charles Pessoa, o “Pacto pela Ordem”, que combina ações de repressão e políticas sociais, será intensificado na região. A polícia iniciou visitas às residências e começou o cadastramento dos proprietários legítimos para manter um monitoramento contínuo e garantir que as famílias possam voltar a viver com tranquilidade no local.
