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Primeiro teste caseiro de papanicolau é aprovado nos EUA; entenda

Por Metrópoles

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou a primeira alternativa caseira ao exame de papanicolau no país.

A decisão foi anunciada na última sexta-feira (10/5) e representa uma mudança importante na forma como é feito o rastreamento do câncer de colo do útero, com o objetivo de ampliar o acesso e facilitar a adesão ao exame.

Divulgação/Teal Health/Nicole Morrison


Câncer de colo do útero


Como funciona o novo teste de papanicolau?

O dispositivo aprovado é o Teal Wand, desenvolvido pela empresa Teal Health. Ele permite que mulheres de 25 a 65 anos façam a coleta da amostra vaginal em casa, com o auxílio de um aplicador semelhante a um cotonete com uma esponja na ponta, após uma consulta virtual com um profissional de saúde.

O material coletado deve ser enviado a um laboratório, onde será feito o teste de detecção do papilomavírus humano (HPV), responsável por quase todos os casos de câncer de colo do útero. Se os resultados indicarem alterações, a paciente é orientada a procurar atendimento presencial.

O teste usado nas amostras caseiras é o cobas HPV, o mesmo utilizado por médicos em clínicas. Ele tem alta precisão e é recomendado pelas diretrizes médicas dos EUA para o rastreamento primário do HPV.

Atualmente, o rastreamento do câncer de colo do útero é feito apenas em consultório, com o exame de papanicolau. O procedimento exige a introdução de um espéculo na vagina para a coleta de células do colo do útero — etapa que muitas mulheres consideram desconfortável ou dolorosa.

O incômodo, somado à dificuldade de agendar consultas, contribui para a baixa adesão ao exame. A proposta do autoexame em casa é justamente contornar essas barreiras e facilitar o acesso à triagem.

 Decisão baseada em estudo

A aprovação do exame caseiro pela agência norte-americana foi baseada nos resultados do estudo SELF-CERV (NCT06120205), considerado o maior estudo comparativo sobre autocoleta para rastreamento do câncer cervical nos EUA. Foram incluídas 870 participantes de diferentes idades, etnias e perfis socioeconômicos, em 16 locais do país.

O estudo concluiu que as amostras coletadas pelas próprias participantes tiveram o mesmo desempenho na detecção de HPV de alto risco (hrHPV) que as amostras coletadas por profissionais de saúde. Além disso:

Os dados também mostraram que o método tem potencial para melhorar a cobertura do rastreamento em grupos com menor acesso aos cuidados médicos presenciais.

O dispositivo começa a ser distribuído nos Estados Unidos a partir de junho, inicialmente na Califórnia. A empresa fabricante pretende expandir para outras regiões do país nos meses seguintes. Ainda não há previsão de venda do exame fora dos EUA.

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