O slogan “Sena mudou e continuará mudando” marcou a campanha do prefeito Gerlen Diniz, que assumiu a Prefeitura de Sena Madureira há menos de cinco meses. No entanto, o que se vê até agora está mais próximo de um marketing vazio do que de transformações reais no município.
Moradores têm denunciado o desabastecimento de medicamentos nas unidades de saúde e a suspensão de procedimentos odontológicos por falta até mesmo de itens básicos, como soro fisiológico. Na Educação, professores cobram o pagamento da regência de classe — um direito garantido por lei — que está atrasado desde o início do ano. Tudo isso apesar de o município já ter recebido cerca de R$ 18 milhões do Fundeb em 2024.
Na zona rural, a situação também é crítica. Muitos ramais estão praticamente intrafegáveis. Em alguns trechos, o acesso só é possível graças ao trabalho realizado pelo Governo do Estado, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre).
Enquanto os serviços básicos agonizam, a gestão municipal se torna alvo de investigação do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) por não assegurar o fornecimento de medicamentos à população. O contraste é gritante: em apenas quatro meses, a Prefeitura empenhou quase R$ 2 milhões em combustíveis, comprados sem licitação de um empresário aliado político.
E não é a primeira vez que o prefeito recorre a contratos polêmicos. Em fevereiro, ele já havia sido duramente criticado por firmar, também sem licitação, um contrato emergencial com o mesmo empresário, no valor superior a R$ 11 milhões. Na ocasião, em entrevista a uma emissora de rádio, Gerlen Diniz defendeu a legalidade do procedimento.
Mais recentemente, a gestão municipal voltou a surpreender ao empenhar o valor de R$ 240 mil para o aluguel de um galpão pertencente ao mesmo aliado — valor que será pago de forma antecipada e em parcela única, referente a 12 meses de locação.
A situação levanta suspeitas, sobretudo quando se considera que, nesse mesmo período, Sena Madureira arrecadou quase R$ 40 milhões em tributos e fundos especiais. Resta a pergunta: onde está sendo aplicado esse dinheiro? O que justifica tamanho descaso com áreas tão essenciais como saúde, educação e infraestrutura?
Diante desse cenário, é legítimo questionar: que tipo de mudança está sendo proposta quando os cidadãos não têm sequer acesso a medicamentos básicos?

