Terapia de desenvolvimento motor muda a vida de bebĂȘ com sĂ­ndrome rara

Por MetrĂłpoles 25/05/2025 Ă s 03:31

A vida de Joaquim, de 2 anos, tem sido marcada por desafios desde o nascimento. Diagnosticado com síndrome de Charge, uma anomalia genética rara, ele enfrenta limitaçÔes motoras e dificuldades no desenvolvimento.

A Charge atinge um em cada 10 mil nascidos vivos. O nome da condição faz referĂȘncia a um conjunto de complicaçÔes em diferentes ĂłrgĂŁos do corpo, que podem incluir olhos, nervos, coração, vias nasais e ouvidos, entre outros.

No caso de Joaquim, o problema cardĂ­aco foi o mais prevalente e exigiu que a criança ficasse internada em UTI jĂĄ logo apĂłs o nascimento. Durante o perĂ­odo hospitalizado, ele sofreu um choque cardiogĂȘnico, quando o coração perde a capacidade de bombear o sangue em quantidade adequada para os ĂłrgĂŁos.

Ele precisou passar por um novo procedimento no coração e, durante um período, teve de usar uma sonda para se alimentar.

Agora, a qualidade de vida do pequeno mudou com a adoção de uma terapia chamada Cuevas Medek Exercises (CME). A técnica, pouco divulgada no Brasil, trabalha o desenvolvimento motor infantil por meio de estímulos que provocam reaçÔes automåticas no corpo da criança.

“O mĂ©todo desafia o sistema neuromuscular, promovendo respostas que ajudam a desenvolver a independĂȘncia motora”, explica a instrutora e terapeuta Ana Carolina Martinez, especialista no mĂ©todo.

Terapia de desenvolvimento motor muda a vida de bebĂȘ com sĂ­ndrome rara5 imagensJoaquim tem muito mais autonomia hojeJoaquim completou 2 anos em julho de 2024Andreia e a famĂ­lia celebram a recuperação diĂĄria de Joaquim O pequeno agora faz terapia para andar sozinhoFechar modal.Terapia de desenvolvimento motor muda a vida de bebĂȘ com sĂ­ndrome rara1 de 5

Joaquim nasceu em 2022 com um problema no coração que o levou diretamente para a UTI neonatal

Andreia Batista/Foto cedida ao MetrĂłpoles2 de 5

Joaquim tem muito mais autonomia hoje

Andreia Batista/Foto cedida ao MetrĂłpoles3 de 5

Joaquim completou 2 anos em julho de 2024

Andreia Batista/ Imagem cedida ao MetrĂłpoles. 4 de 5

Andreia e a família celebram a recuperação diåria de Joaquim

Andreia Batista/ Imagem cedida ao MetrĂłpoles. 5 de 5

O pequeno agora faz terapia para andar sozinho

Andreia Batista/ Imagem cedida ao MetrĂłpoles

Evolução com terapia CME

Andreia Batista, mĂŁe de Joaquim, enfrentou dificuldades para obter a cobertura do plano de saĂșde e, devido Ă  pouca quantidade de profissionais especializados, foi complicado encontrar atendimento em BrasĂ­lia. “Estamos desde agosto tentando com o plano de saĂșde, mas Ă© um processo longo e burocrĂĄtico. O juiz negou a liminar e seguimos com recurso”, relata.

Uma vaquinha permitiu que o menino iniciasse o tratamento antes da decisão judicial. As sessÔes, que custam R$ 420 cada, foram viabilizadas graças ao dinheiro arrecadado pela família.

“Conseguimos juntar um bom valor para cobrir os custos do tratamento, que tem sido um divisor de águas na vida do Joaquim”, afirma Andreia.

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Segundo ela, os primeiros resultados surpreenderam. “Na avaliação inicial, ficamos impressionados com a rapidez dos resultados. Ele aprende algo na sessão e, em poucos dias, já está aplicando em casa”, conta a mãe.

Antes da CME, Joaquim apresentava dificuldades para se locomover e interagir com o ambiente. Hoje, está mais autînomo e ativo. “No começo, ele tinha dificuldade para aceitar os estímulos mais desafiadores e chorava. Agora, faz os exercícios sorrindo”, conta a mãe.

Como funciona o tratamento

O método CME foi desenvolvido na década de 1970 pelo fisioterapeuta chileno Ramon Cuevas e é indicado para crianças com atraso no desenvolvimento psicomotor. A técnica utiliza exercícios dinùmicos para estimular respostas motoras automåticas, promovendo maior autonomia. Diferente de outras abordagens, o CME expÔe a criança à força da gravidade, incentivando reaçÔes naturais e progressivas.

 

“A tĂ©cnica trabalha com um repertĂłrio de mais de 10 mil exercĂ­cios, sempre adaptados Ă s necessidades da criança. O foco Ă© expor o paciente Ă  gravidade com o mĂ­nimo de suporte, estimulando respostas motoras naturais”, explica Ana Carolina.

Joaquim inicialmente resistiu a alguns estĂ­mulos mais desafiadores, mas se adaptou rapidamente. Hoje, participa das sessĂ”es com entusiasmo e avança a cada semana. De acordo com a profissional, ele apresentou melhora na postura, no equilĂ­brio e na independĂȘncia motora, avanços fundamentais para que consiga andar sozinho.

PrĂłximos passos

A evolução de Joaquim impactou toda a família. “O mundo se abriu para ele. Antes, ele tinha vontade de interagir, mas não conseguia. Agora, brinca no parquinho e explora o ambiente com muito mais autonomia,” destaca Andreia.

Para receber alta na terapia, Joaquim precisa desenvolver marcha independente e capacidade de subir e descer degraus. “A cada dia ele melhora mais. Em breve, esperamos que ele alcance esses objetivos”, projeta a mãe.

Recentemente, o pequeno foi diagnosticado com surdez, e por isso, passarĂĄ por uma nova cirurgia, sendo a oitava desde o nascimento, para a implantação de um aparelho coclear. “O implante Ă© necessĂĄrio porque o aparelho auditivo convencional nĂŁo Ă© suficiente para que Joaquim compreenda bem os sons, especialmente a fala”, explica a mĂŁe.

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