Dois influenciadores digitais, Odorico Reis e Ivan Rangel, têm ganhado destaque nas redes sociais ao mostrarem que é possível ser LGBTQIA+ e viver no meio rural. Ambos enfrentaram preconceito desde a infância por sua orientação sexual, mas hoje se tornaram referências ao unir a vivência no campo com orgulho e autenticidade.
Odorico Reis e Ivan Rangel têm ganhado destaque nas redes sociais ao mostrarem que é possível ser LGBTQIA+ e viver no meio rural / Reprodução
Odorico, natural de Buriti Alegre (GO), conta que cresceu em um ambiente hostil. O pai o levava para trabalhar na roça na tentativa de “torná-lo mais masculino” e, ao descobrir sua sexualidade, o benzia diariamente para “expulsar o espírito mal”. Após uma tentativa de suicídio frustrada, o influenciador viu sua relação familiar melhorar, embora a aceitação total nunca tenha vindo. Católico, ele se orgulha de manter a fé e já foi vereador. Hoje, tem mais de 600 mil seguidores no Instagram e apresenta eventos em todo o Brasil, vestindo chapéu rosa e salto alto sem medo de quebrar padrões.
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Já Ivan Rangel, de São Pedro do Suaçuí (MG), também enfrentou exclusão e precisou deixar o campo ao se assumir gay. Sem referências de alguém como ele no meio rural, viveu um conflito interno até decidir retornar à fazenda dos pais, onde trabalha atualmente. Influenciador com quase 180 mil seguidores, Ivan usa o bom humor para enfrentar o preconceito, embora relate sofrer ameaças e exclusão silenciosa em eventos locais.
Ambos se definem como “agrogays”, termo que virou símbolo de resistência e representatividade para muitos LGBTQIA+ que ainda lutam por espaço no universo conservador do agronegócio.
