Bomba “antibunkers”: como funciona a arma que sĂł os EUA tĂȘm

Por MetrĂłpoles 18/06/2025

A poderosa bomba antibunker americana GBU-57, a Ășnica capaz de destruir as instalaçÔes nucleares iranianas enterradas em profundidade, Ă© considerada a arma estratĂ©gica ideal para Donald Trump, caso ele decida envolver os Estados Unidos no conflito contra o IrĂŁ ao lado de Israel.

A GBU-57 é uma ogiva de 13 toneladas, capaz de penetrar dezenas de metros no subsolo antes de explodir e é a arma que falta a Israel para alcançar seu objetivo declarado de guerra: impedir a construção de uma bomba atÎmica por Teerã.

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Em cinco dias, o ExĂ©rcito israelense conseguiu dizimar o comando militar iraniano e vĂĄrias instalaçÔes de superfĂ­cie. Mas “ainda hĂĄ muitas dĂșvidas sobre a eficĂĄcia dos ataques israelenses contra o coração do programa nuclear iraniano”, resume Behnam Ben Taleblu, especialista da Foundation for Defense of Democracies, um centro de pesquisa americano de tendĂȘncia neoconservadora.

Segundo ele, “todos os olhos se voltam para Fordo”. A usina de enriquecimento de urĂąnio, localizada ao sul de TeerĂŁ, “nĂŁo sofreu nenhum dano”, segundo a AgĂȘncia Internacional de Energia AtĂŽmica (AIEA). Ao contrĂĄrio dos locais de Natanz e Isfahan, no centro do IrĂŁ, Fordo estĂĄ enterrada a cerca de 100 metros de profundidade, fora do alcance das bombas israelenses.

“Somente os Estados Unidos tĂȘm a capacidade convencional de destruir um local como esse”, afirma Mark Schwartz, general americano aposentado e especialista do grupo de reflexĂŁo Rand Corporation. Essa “capacidade convencional”, ou seja, nĂŁo nuclear, Ă© a GBU-57.

Quais sĂŁo as capacidades da GBU-57?

A bomba americana Ă© Ășnica porque pode penetrar profundamente em rocha e concreto. A GBU-57 “foi projetada para penetrar atĂ© 200 pĂ©s (61 metros) no subsolo antes de explodir”, segundo o ExĂ©rcito americano.

Diferentemente de muitos mísseis ou bombas que detonam no impacto, essas ogivas antibunker penetram o solo e explodem apenas ao atingir a instalação subterrùnea.

Essas armas possuem “uma carcaça muito espessa de aço reforçado” que as ajuda a atravessar camadas de rocha, explica Masao Dahlgren, especialista em armamentos do centro de pesquisa CSIS, em Washington. Isso explica seu peso: mais de 13 toneladas e 6,6 metros de comprimento.

Sua eficĂĄcia tambĂ©m estĂĄ no detonador, que nĂŁo Ă© ativado no impacto, mas “detecta” cavidades para “explodir quando (a bomba) entra no bunker”, detalha Dahlgren. O desenvolvimento da bomba começou no inĂ­cio dos anos 2000. Um pedido de 20 unidades foi feito Ă  Boeing em 2009.

Como ela é lançada?

Apenas os aviĂ”es americanos B-2 podem lançar essa bomba. Alguns desses bombardeiros estratĂ©gicos foram enviados no inĂ­cio de maio para a base americana de Diego Garcia, no Oceano Índico, mas nĂŁo estavam mais visĂ­veis em meados de junho, segundo anĂĄlise de imagens de satĂ©lite da PlanetLabs feita pela AFP.

No entanto, com seu longo alcance, os B-2 que decolam dos EUA “sĂŁo capazes de voar atĂ© o Oriente MĂ©dio para realizar bombardeios e isso jĂĄ foi feito”, afirma Dahlgren.

Cada B-2 pode transportar duas GBU-57. Se a decisão de usá-las for tomada, “não lançarão apenas uma bomba e pronto — usariam várias para garantir uma probabilidade de sucesso de 100%”, observa Mark Schwartz.

A superioridade aĂ©rea conquistada por Israel no IrĂŁ “reduz os riscos” para os bombardeiros B-2, acrescenta o general aposentado. Uma intervenção americana desse tipo “teria um alto custo polĂ­tico para os EUA”, alerta Behnam Ben Taleblu.

Ele ressalta que essa “nĂŁo Ă© a Ășnica solução” para atingir o programa nuclear iraniano de forma duradoura, alĂ©m da via diplomĂĄtica.

Na ausĂȘncia dessa bomba antibunker americana, os israelenses poderiam atacar complexos subterrĂąneos como Fordo “tentando atingir as entradas, provocar desabamentos, cortar a eletricidade”, lista o especialista — o que parece ter sido feito em Natanz.

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