Mesmo sob o risco de pagarem multa de R$ 1 milhão e a ameaça de terem o ponto de frequência cortado, professores da rede pública de ensino do Distrito Federal iniciaram, na manhã desta segunda-feira (2/6), a greve aprovada e anunciada na semana passada.
Com adesão de grande parte dos professores à greve, muitas escolas amanheceram silenciosas. Os ambientes, marcados por conversas, risos, gritos e brincadeiras dos estudantes, estava vazio em diversos colégios visitados pela reportagem.
Um bilhete confirmando a greve dos professores foi colado na Escola 308 Sul
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Poucos alunos foram vistos nas dependências da Escola 308 Sul
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Aluno da Escola Classe 308 Sul
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Boa parte dos professores da Escola Classe da 308 Sul também entraram de greve
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De um total de 16 turmas, apenas 2 não pararam na Escola 106 Norte
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O movimento paredista teve adesão de 80% da Escola Classe 106 Norte
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Maria Júlia, 6, do Jardim 2 da Escola 106 Norte e sua mãe, Nayara Souza, 32, designer
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80% dos professores aderiram a Paralisação da Secretaria de Educação.
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Professores de escolas públicas amanheceram em greve
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O movimento paredista teve adesão de 80% dos educadores da Escola Classe (EC) 106 Norte, na Asa Norte. De um total de 16 turmas, só duas mantiveram as atividades desta manhã. O auxiliar de expedição Alexandro Borges Folha, 43 anos, tem dois filhos matriculados no colégio: Miguel, 8, e Valentina, 10. A professora do menino não interrompeu as aulas, mas a da menina, sim.
“É complicado. Meu filho, hoje, tem aula. Mas a professora da minha filha entrou em greve. Ele veio, e ela ficou em casa”, comentou. Alexandro espera que o governo e os professores entrem em um acordo o quanto antes, para dar fim à greve e evitar que os estudantes fiquem sem conteúdo escolar.
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Vice-diretora do colégio, Elida Teles, comentou que a maioria dos pais tem apoiado o movimento: “E é preciso entender ser direito do professor aderir a greve. E, também, compreender que o que não aderiu também tem direitos. A gente espera que haja um acordo”.
Busca por creches
Professores do Jardim de Infância (JI) da 106 Norte também integram o movimento paredista. As famílias dos estudantes que tiveram as aulas mantidas ficaram aliviadas, mas parte deles apoia as reivindicações dos professores e entende a greve. É o caso do servidor público, Aristeu de Oliveira Júnior, 45, pai de Pedro, 6.
“Acredito que a causa é justa, e os professores precisam ser mais valorizados. Mas seria necessário um diálogo com o Executivo local, para que não haja uma medida tão drástica. E o Governo do Distrito Federal precisa dar mais atenção à categoria”, argumentou Aristeu, após deixar o filho no colégio.
Nayara Souza, 32, ficou aliviada pelo fato de a filha Maria Júlia, 6, seguir com as aulas. “Mas fica uma situação ruim, que atrapalha todo mundo. Muita gente não tem com quem deixar os filhos. E como vai ser depois? Vão repor nas férias. Isso muda a rotina todinha.”
A designer acrescentou que algumas colegas precisaram procurar por creches esta manhã, pois não teriam com quem deixar os filhos, devido à greve dos professores das crianças. Mesmo assim, para ela, os educadores têm o direito de batalhar pelos direitos.
“Responsabilidades legais”
Além dessa, a EC 308 Sul amanheceu silenciosa. Do total de 12 turmas, oito estão sem aulas. A situação é semelhante na Escola Parque 308 Sul.
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informou que acompanha os impactos da medida e apura quais escolas aderiram ao movimento, pelo fato de hoje ser o primeiro dia da greve.
“Caso o sindicato opte por manter o movimento grevista, estará assumindo, de forma autônoma, as responsabilidades legais decorrentes do descumprimento da ordem judicial”, completou a pasta.

