A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de São Paulo que investiga a realização de festas clandestinas na cidade, os chamados pancadões, aprovou, nesta quinta-feira (5/6), a solicitação de informações para a concessionária responsável pelo Vale do Anhangabaú, no centro da capital paulista, sobre festas que têm ocorrido no local.
Os vereadores também aprovaram o convite para que um representante da empresa Viva o Vale seja ouvido no colegiado e preste esclarecimentos. Nos últimas dias, moradores do entorno do Vale do Anhangabaú têm reclamado do alto barulho de festas privadas que varam a madrugada.
O espaço é alvo de polêmica desde a concessão, uma vez que a Prefeitura de São Paulo resolveu entregar o a área pública à iniciativa privada após fazer um investimento de R$ 105,6 milhões na reforma. As interdições recorrentes e a barulheira causada por shows madrugada adentro geram constantes reclamações.
Os requerimentos envolvendo o Vale foram propostos pela vereadora Luna Zaratini (PT), que classificou as festas de “pancadões do Ricardo Nunes”.
“Todos nós recebemos e-mails com links de perfis que divulgam essa festa que tem realmente causado muito incômodo e problemas para os moradores do centro. Acho importante a gente discutir a omissão do poder público em fiscalizar esse tipo de festa. Tem caráter de festa eletrônica, mas aqui a gente pode considerar também como um pancadão da prefeitura do Ricardo Nunes”, disse a parlamentar durante a reunião.
Na sessão, a vereadora reproduziu um vídeo mostrando o barulho das festas em apartamentos e instalações próximas do Anhangabaú.
O vereador Rubinho Nunes (União), presidente da CPI, votou a fazer dos requerimentos, mas alertou que o tema pode fugir do escopo da CPI, uma vez que o colegiado se propõe a investigar festas sem alvará e autorização do poder público.
“A CPI versa sobre festas clandestinas. Por clandestino, entendo aquilo que não tem a permissão do poder público. Esse evento, por mais que desarrazoado, barulhento e infernal, não me parece albergado no objeto da CPI. Mas vamos organizar a oitiva para as pessoas possam ouvir e prestar esclarecimentos”, disse Rubinho.
CPI dos Pancadões
- Na reunião desta quinta-feira (5/6), a CPI dos Pancadões da Câmara Municipal também aprovou a intimação de responsáveis de 10 adegas a prestarem esclarecimentos sobre os estabelecimentos localizadas em diferentes regiões do município e que seriam ligados na organização de pancadões.
- Os vereadores também aprovaram dois requerimentos que solicitam informações das forças de segurança sobre ações envolvendo os bailes funk e também à Secretaria das Subprefeituras.
- Segundo o presidente da CPI, a expectativa é que na próxima reunião o colegiado comece a realizar as oitivas.
- Já foram chamados para prestar depoimento os funkeiros MC Ryan, MC Dricka e Giliard Santos, filho da influenciadora Deolane Bezerra. Também foram convidados o influenciador Danielzinho do Grau e o rapper Salvador da Rima.
O que diz a prefeitura
A Prefeitura de São Paulo afirmou que “reafirma que a concessão do Vale do Anhangabaú tem gerado avanços para a cidade, com a ampliação do acesso à cultura, a geração de emprego e renda e a valorização do espaço público”.
“Por ano, o local recebe cerca de 5 mil atividades gratuitas e abertas à população. Na última quarta-feira (4), representantes da Secretaria Municipal das Subprefeituras e da concessionária Viva o Vale discutiram ajustes e medidas para minimizar os incômodos aos frequentadores e moradores vizinhos do Anhangabaú durante grandes eventos. Entre os assuntos tratados estão alterações nas rotas de pedestres e no posicionamento dos palcos”, disse o município.
A gestão Nunes também informou que a Secretaria das Subprefeituras, quando emitido um alvará para eventos, apresenta as normas e exigências necessárias e que as atividades desenvolvidas no Vale do Anhangabaú são fiscalizadas mensalmente.
“Sobre o andamento da CPI dos Pancadões, a Prefeitura informa que não interfere em decisões da Câmara Municipal”, completou.
O Metrópoles entrou em contato com a concessionária Viva o Vale. O espaço seque aberto para manifestação.

