A notícia de que PSDB e Podemos desistiram de formar uma federação partidária caiu como um balde de água fria nas cúpulas dos dois partidos no Acre. A informação, divulgada pelo jornal O Globo, encerra de vez os planos da direção local, que já montava uma das chapas mais competitivas para disputar a Câmara Federal em 2026.
Nos bastidores, a costura da federação animava lideranças locais que vinham alinhando pesos-pesados da política acreana em uma mesma coligação. Minoru Kinpara, Ney Amorim, Pedro Longo, Vanda Milani e Mazinho Serafim estavam sendo cotados para compor uma única chapa – uma verdadeira força-tarefa eleitoral, com potencial para puxar até duas cadeiras para Brasília.
Agora, com o fracasso da federação nacional, os dois partidos no Acre terão que recalcular a rota – e rápido. Há entre os dirigentes locais o receio de que o tempo e o capital político gastos nessa articulação tenham sido em vão. Também há quem já comece a pensar em planos B, como migrações partidárias e reedições de alianças estaduais.
O naufrágio
Segundo O Globo, a fusão entre PSDB e Podemos naufragou por causa de uma disputa pelo comando da nova legenda. O Podemos queria emplacar a presidência da sigla por quatro anos, o que foi rejeitado pelo PSDB. Os tucanos propuseram um sistema de rodízio no comando, com alternância entre os partidos. A proposta não avançou, e as conversas terminaram.
Enquanto isso, no Congresso, os dois partidos seguem com tamanhos semelhantes: o PSDB tem 13 deputados e 3 senadores, enquanto o Podemos conta com 15 deputados e 4 senadores.
No Acre, o cenário ainda é de incerteza. Mas uma coisa é certa: a promessa de uma superchapa entre tucanos e o Podemos fica, por ora, apenas no campo das intenções.
Surge um nome na esquerda
O nome do médico infectologista Thor Dantas voltou a circular com força nas rodas da esquerda acreana. Com a proximidade das definições para 2026, Thor já recebeu pelo menos dois convites de partidos para disputar as próximas eleições. O movimento tem tudo a ver com a busca por nomes técnicos, com bom capital social e discurso afinado com pautas progressistas — exatamente o perfil que Thor carrega desde que entrou na política.
Na última eleição, ele disputou uma vaga pelo PSB, mas acabou se afastando do partido após divergências internas. Apesar disso, não saiu do radar. Pelo contrário: o desempenho nas urnas e a atuação durante a pandemia ainda são lembrados como ativos políticos importantes.
Alerta vermelho no governo
A escalada da violência contra a mulher no Acre voltou a acender o alerta vermelho. Só na última semana, três mulheres foram vítimas de feminicídio no estado — um dado assustador, que exige resposta imediata do poder público.
O próprio governador Gladson Camelí, em entrevista durante a cerimônia de aniversário dos 63 anos do Acre, declarou em entrevistas que “a ordem não é diminuir, é zerar os casos”.
Mas há um adendo – zerar os feminicídios exige mais do que boa vontade. Exige orçamento, integração entre os órgãos de segurança, celeridade na Justiça e acolhimento às vítimas. E, acima de tudo, prioridade real na agenda de governo.
Precisamos ser claros!
O atentado contra agentes ambientais durante a Operação Suçuarana, na Reserva Extrativista Chico Mendes, acendeu um alerta grave: o ICMBio precisa reforço urgente da Força Nacional para garantir a continuidade das ações no território.
O recado dado pelos criminosos foi claro — e violento. E a resposta do Estado precisa estar à altura.
Não se trata de conflitos com pequenos produtores tentando sobreviver com a pecuária de subsistência. Os alvos da operação são grandes produtores, com maquinário pesado e áreas extensas desmatadas ilegalmente. Todos já haviam sido notificados anteriormente sobre as irregularidades. Ou seja, sabiam o que estavam fazendo — e decidiram desafiar o poder público.
O episódio reforça o que especialistas já vinham dizendo: o ICMBio e o IBAMA estão subdimensionados para enfrentar, sozinhos, a estrutura do crime ambiental na Amazônia. A presença da Força Nacional, neste caso, não é uma opção — é uma necessidade.
