A partir desta segunda-feira (23), passa a ser obrigatória a retenção da segunda via da receita médica para compra de inibidores de apetite como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e similares. Portanto, para liberar esses medicamentos, a farmácia vai ficar com uma via da receita. Esta decisão da Anvisa busca frear a venda indiscriminada das canetas emagrecedoras.
A compra desses medicamentos vai ser semelhante à de antibióticos, por exemplo: O paciente vai até a farmácia, apresenta a receita do médico (que já é obrigatória), e uma via fica retida na loja.
A medida tem apoio de entidades médicas e do setor de farmácias. A diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Flávia Coimbra, afirma que a retenção da receita vai ajudar controlar a automedicação, que pode trazer sérios ricos.
“As pessoas sem indicação adequada, sem avaliação dos possíveis efeitos adversos, sem avaliação dos possíveis interações com outros medicamentos, acabavam usando porque um vizinho estava usando e estava obtendo um resultado bom. A retenção da receita vai ajudar a controlar essa questão da automedicação, de um medicamento que é extremamente eficaz para o que ele é proposto, mas que, quando usado de maneira inadequada, pode estar relacionado com o aparecimento de efeitos colaterais.”
Já o diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia – Regional São Paulo, Ricardo Barroso, destaca que outro impacto positivo da retenção da receita será a disponibilidade da medição pra quem de fato precisa, como por exemplo os pacientes com diabetes.
“Para aqueles que fazem com acompanhamento médico. Porque existem pessoas comprando quantidades grandes e que não usam de forma adequada e sem acompanhamento médico, faltando medicação para as pessoas que realmente precisam.”
O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos apoia a nedida e, em nota, manifestou preocupação com a possibilidade de que farmácias de manipulação produzam formulações dos análogos de GLP-1, sem estarem submetidas ao mesmo controle de qualidade dos insumos e fornecedores. Para esse caso o Sindusfarma enviou à Anvisa uma sugestão para que a importação dos insumos para esses medicamentos só possa ser realizada por empresas detentoras de registro destes inibidores de apetite no país.
O Sindicato ainda pontuou que no caso específico da prescrição de medicamentos de uso crônico,como os para tratamento de diabetes e hipertensão, é urgente ter uma legislação específica sobre prazos de validade das receitas. São produtos, que, de acordo com a entidade, são utilizados por vários meses ou anos, e restringir a validade da receita por 90 dias pode prejudicar a adesão ao tratamento.

