Ministro da Justiça durante o governo Bolsonaro, o delegado da PolĂcia Federal (PF) Anderson Torres admitiu, nesta terça-feira (10), jamais ter recebido informaçÔes oficiais acerca de possĂveis fraudes no processo eleitoral brasileiro ou da possibilidade de urnas eletrĂŽnicas terem sido corrompidas.

âTecnicamente falando, nĂŁo temos nada que aponte fraude nas urnas eleitorais. Nunca chegou esta notĂcia atĂ© mim. E quando questionado, eu passava isso [a informação] para o presidente [Bolsonaro] ou para qualquer outra autoridadeâ, declarou Torres durante o interrogatĂłrio dos rĂ©us acusados de participar de uma trama para impedir que o candidato eleito durante as eleiçÔes de 2022, Luiz InĂĄcio Lula da Silva, assumisse a presidĂȘncia em janeiro de 2023.
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Em julho de 2022, Torres participou de uma das lives que Bolsonaro transmitiu do PalĂĄcio da Alvorada, com membros de sua equipe de governo. Na ocasiĂŁo, a pretexto de falar sobre a âquestĂŁo do voto auditĂĄvelâ, o entĂŁo presidente atacou a Justiça eleitoral e questionou a segurança das urnas eletrĂŽnicas. JĂĄ Torres, para demonstrar a necessidade de melhorias no sistema, leu um relatĂłrio da PF, obtido por seus assessores.Â
âFui convocado pelo presidente, o que causou um burburinho no ministĂ©rio pois aquele era um tema entĂŁo em voga, muito discutido […] Eu nĂŁo tinha conhecimento tĂ©cnico nenhum sobre o assunto. EntĂŁo, pedi para minha assessoria levantar algum material que pudesse me instruir. Vieram alguns relatĂłrios produzidos pela PF, com sugestĂ”es de melhorias para as urnas eletrĂŽnicas. Meu staff [equipe] leu tudo e marcou o que entendia que eu poderia apresentar durante a liveâ, contou Torres, destacando que, durante a live de mais de duas horas, sua participação se limitou a cerca de 4 minutos.
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âMinha participação foi muito rĂĄpida [âŠ] e eu nunca questionei a lisura do processo eleitoral. Eu questionava a implementação das medias [de aprimoramento do sistema eleitoral]. E todas as minhas opiniĂ”es estavam baseadas no relatĂłrio da PF que eu liâ, acrescentou Torres.
Torres tambĂ©m admitiu ter se baseado em fontes nĂŁo oficiais ao mencionar, durante uma reuniĂŁo ministerial de que Bolsonaro participava, que o PT teria vĂnculos com a facção criminosa PCC.
âFoi com base exclusivamente em duas matĂ©rias [jornalĂsticas publicadas nos sites da revista Veja e da CNN] divulgadas naquela mesma semana, com base em informaçÔes atribuĂdas Ă PF e sobre as quais eu nĂŁo tinha conhecimento [oficial]â.
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Minuta
Torres voltou a negar ter conhecimento ou participado de qualquer plano para manter Bolsonaro no poder e impedir que Lula fosse empossado. Questionado sobre o fato de uma cĂłpia da chamada âminuta do golpeâ ter sido encontrada em sua casa, em meio a documentos oficiais, o ex-ministro repetiu que nĂŁo se lembra de quem recebeu o papel, e que sua intenção era destruĂ-lo.
Torres tambĂ©m negou ter participado de qualquer reuniĂŁo com comandantes militares para tratar da possĂvel decretação de um estado de exceção. E assegurou que, ao se ausentar do Distrito Federal, dois dias antes de manifestantes golpistas invadirem o PalĂĄcio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, nĂŁo havia indĂcios do que estava para acontecer.
âFui acusado de ser o grande arquiteto de tudo o que tinha acontecido, pelo fato de ter trabalhado com o presidente Bolsonaro e de estar na secretaria de Segurança PĂșblica do DFâ, comentou. âMas se o Protocolo de AçÔes Integradas com ordens expressas a serem seguidas em caso de protestos violentos tivesse sido cumprido Ă risca, o 8 de janeiro nĂŁo teria ocorridoâ, acrescentou, alegando que a execução do protocolo estabelecido dias antes seria responsabilidade de vĂĄrios ĂłrgĂŁos, inclusive federais. âHouve uma falha grave e fui surpreendido com issoâ.
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