Líderes dos nove estados da Amazônia Legal, além de representantes da Bolívia e do Peru, participam do Seminário Internacional Txai Amazônia, realizado no Espaço E-Amazônia da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco. O evento ocorre entre os dias (25) e (28) e discute estratégias de desenvolvimento sustentável com base na bioeconomia e na valorização da sociobiodiversidade.
O evento aconteceu na manhã dessa segunda-feira (24)/Foto: ContilNet
A programação inclui 15 painéis distribuídos em sete eixos temáticos, abordando temas como cadeias produtivas, governança, financiamento, mudanças climáticas e integração entre ciência e saberes tradicionais. Ao todo, serão apresentados 20 casos de sucesso da bioeconomia amazônica. O seminário também conta com a Mostra Cultural da Bioeconomia, com 23 apresentações de mais de 160 artistas, exposições, mostra gastronômica, cinema, teatro, desfile de moda e uma gamejam com foco em cultura amazônica.
Segundo os organizadores, o seminário foi construído de forma colaborativa a partir de oficinas de cocriação, curadorias temáticas e dados socioeconômicos. A escolha do Acre como sede se deu pelo histórico de políticas socioambientais e pela articulação entre governo, universidades e movimentos sociais.
O presidente do Instituto Sapien, Lucas Varela, afirmou que o objetivo é transformar o evento em uma vitrine de soluções sustentáveis. “Estamos trazendo especialistas para tratar da bioeconomia e apresentar soluções. Teremos painéis sobre financiamento público e privado e formas de fomentar cadeias produtivas autônomas. É essencial que o desenvolvimento seja protagonizado pela população local”, disse.
O presidente do instituto Sapien esteve presente no evento/Foto: ContilNet
A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, destacou que o seminário é resultado de mais de um ano de construção com o Instituto Sapien, envolvendo diversas secretarias e instituições. “Essa pauta é um sonho. Vamos abrir com o olhar dos povos indígenas, com lideranças femininas trazendo experiências práticas dos territórios. Temos uma outra forma de gerar economia e sustentabilidade, que valoriza o conhecimento tradicional”, afirmou.
Ela ressaltou que a participação indígena é central para qualquer política de bioeconomia. “Sem nossos territórios e sem nossa presença, não se pode falar de sustentabilidade. A sócio-bioeconomia que praticamos gera emprego do nosso jeito. Queremos mostrar isso e também ouvir outras experiências para construir um intercâmbio real”, disse.
Sobre os resultados esperados, Francisca Arara defende a elaboração de um plano estadual de bioeconomia que possa orientar políticas públicas. “Não pode ficar só no papel. Queremos sair daqui com um documento que sirva de base para políticas no Acre e também em nível nacional, incluindo contribuições para a COP30 em Belém. O Acre tem experiência em elaborar planos, e precisamos colocar isso em prática”, concluiu.
Francisca disse que o evento é de grande importância pra comunidade local/Foto: ContilNet
O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Acre (Fapac), Moisés Diniz, também destacou a importância da união entre saberes tradicionais e tecnologia. “Vamos discutir agricultura sustentável, extrativismo e turismo ecológico. Teremos exposições, oficinas e praça de alimentação amazônica. O Acre abriga oito línguas indígenas, algumas ameaçadas. É preciso resgatar esse conhecimento e associá-lo à inovação para desenvolver com proteção das florestas e uso racional de recursos”, afirmou.
Moises Dinis representou a Fundação de Amparo à Pesquisa no evento/Foto: ContilNet
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O evento será realizado em formato híbrido, com painéis presenciais e online. Ao final, será elaborada uma Carta de Proposições com recomendações para políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da Amazônia Legal.
