O assassinato de Wilson Pinheiro, um dos maiores símbolos da luta pela terra e pela preservação da floresta no Acre, completa 45 anos nesta segunda-feira (21). Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasileia à época, o seringueiro foi morto com três tiros nas costas enquanto assistia televisão dentro da sede da entidade sindical, em 1980. O crime, até hoje não solucionado.

O caso em volta de sua morte segue sem uma conclusão oficial até os dias atuais/Foto: Reprodução
Wilson Pinheiro atuava na defesa dos direitos dos povos da floresta e da reforma agrária em um momento de intensificação dos conflitos agrários na Amazônia. Sua liderança antecedeu e influenciou nomes como Chico Mendes, que o considerava mentor. O assassinato, ocorrido na sede do sindicato em Brasileia, é lembrado como símbolo da violência sofrida por lideranças rurais na região.
Quase meio século após o crime, a memória de Wilson Pinheiro segue presente em manifestações, discursos e movimentos sociais. No entanto, o espaço que deveria preservar sua trajetória encontra-se em situação precária. O Memorial Wilson Pinheiro, instalado no prédio onde o sindicalista foi morto, está abandonado, com o piso deteriorado e risco de desabamento.
A denúncia foi feita nas redes sociais pelo Comitê Chico Mendes, que cobrou providências e valorização da história de Pinheiro. O Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Brasileia também se manifestou, afirmando que a luta iniciada pelo líder continua viva e que sua memória deve ser preservada como patrimônio do Acre e do Brasil.
“Preferimos morrer lutando do que morrer calado vendo a floresta ser destruída”, disse Wilson Pinheiro em uma de suas frases mais conhecidas, ainda amplamente citada por militantes socioambientais.
Entidades ligadas ao movimento sindical e à defesa da Amazônia defendem que a história de Wilson Pinheiro seja ensinada nas escolas e registrada oficialmente como parte da memória coletiva do país.
