Brasil e Índia pedem vagas permanentes em conselho de segurança da ONU

Por AgĂŞncia Brasil 09/07/2025 Ă s 05:52

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta terça-feira (8), em Brasília, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O encontro ocorreu no Palácio da Alvorada, marcando a visita de Estado do líder do país mais populoso do planeta com 1,4 bilhão de habitantes. Modi veio à capital federal após participar, nos últimos dias, da cúpula do Brics, no Rio de Janeiro.Brasil e Índia pedem vagas permanentes em conselho de segurança da ONUBrasil e Índia pedem vagas permanentes em conselho de segurança da ONU

Em declaração à imprensa após a reunião bilateral, Lula defendeu um protagonismo maior de Brasil e Índia na governança global e voltou a pedir que os dois países passem a ser membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

“O que Ă© mais importante Ă© que Brasil e ĂŤndia tĂŞm um potencial extraordinário e, por isso, reivindicamos o direito de participar no Conselho de Segurança da ONU. NĂŁo Ă© mais possĂ­vel a gente ver a ONU enfraquecida, nĂŁo sendo levada em consideração. E os membros fixos [permanentes] do Conselho, que deveriam primar pela paz, sĂŁo os que mais estimulam a guerra”, disse Lula.

Na mesma linha, Modi comentou a aproximação dos dois países como fator de maior estabilidade no cenário internacional.

“Essa parceria entre ĂŤndia e Brasil Ă© um pilar importante de estabilidade e equilĂ­brio. NĂłs acreditamos que todas essas disputas devem ser resolvidas por meio do diálogo e da democracia. Nossas visões nessa luta com o terrorismo estĂŁo aliadas, tolerância zero”, observou.

Lula pontuou que o fortalecimento de iniciativas conjuntas em áreas estratĂ©gicas Ă© um passo importante na relação bilateral. “Dois paĂ­ses superlativos como a ĂŤndia e o Brasil nĂŁo podem permanecer distantes. A solidez das nossas democracias, a diversidade das nossas culturas e a pujança das nossas economias nos atraem”, disse.

Comércio bilateral

O presidente tambĂ©m defendeu a ampliação do Acordo Mercosul-ĂŤndia para reduzir barreiras comerciais e destacou o potencial do intercâmbio entre as duas economias. “Hoje, apenas 14% das exportações brasileiras para a ĂŤndia estĂŁo cobertas pelo acordo. Temos muito a avançar”, disse Lula, que citou a necessidade de aprofundar contatos entre as duas nações nos setores de turismo, negĂłcios e o intercâmbio cultural.

A Índia é atualmente o décimo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o comércio bilateral totalizou US$ 12 bilhões. As exportações brasileiras chegaram a US$ 5,26 bilhões, com destaque para açúcar, petróleo bruto, óleos e aviões. As importações somam US$ 6,8 bilhões, fazendo da Índia a sexta maior origem de importações para o Brasil.

Sobre isso, Narendra Modi afirmou ser possĂ­vel ampliar o fluxo comercial para um patamar bem superior. “Estabelecemos a meta de utilizar vários milhões de dĂłlares nos prĂłximos cinco anos. E estimamos chegar a US$ 20 bilhões de dĂłlares na nossa cooperação comercial. Juntos, vamos trabalhar na expansĂŁo do acordo comercial de referĂŞncia da ĂŤndia e do Mercosul”, reforçou.

Acordos

Entre os atos firmados pelos dois líderes, estão um acordo de cooperação no combate ao terrorismo e ao crime organizado transnacional; um memorando de entendimento na área de energia renovável, com foco em transmissão de energia; e o memorando para compartilhamento de soluções digitais em larga escala, voltadas à transformação digital.

Na agenda ambiental, Lula enfatizou o protagonismo dos dois paĂ­ses.

“Chegaremos Ă  COP 30 como lĂ­deres da transição energĂ©tica justa. Mostraremos que Ă© possĂ­vel aliar redução nas emissões de gases de efeito estufa e crescimento econĂ´mico e inclusĂŁo social”, disse.

Lula lembrou que a Índia é o mercado de bioenergia que mais cresce no mundo e tem como meta ampliar para 20% a mistura de etanol na gasolina e para 5% a proporção de biodiesel no óleo diesel.

O presidente brasileiro citou ainda que, em agosto, Brasil e a ONU realizarão em Nova Délhi, capital da Índia, a segunda rodada do Balanço Ético Global, para mobilizar a sociedade civil de todo o mundo em preparação à COP30.

A candidatura da ĂŤndia para sediar a COP 33 tambĂ©m “fortalece o protagonismo dos paĂ­ses emergentes no enfrentamento Ă  mudança do clima”, salientou Lula.

CrĂ­ticas a Trump

No final de sua declaração à imprensa, Lula voltou a criticar a reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre ameaças de tarifas contra os países do Brics. 

“NĂłs nĂŁo aceitamos nenhuma reclamação contra a reuniĂŁo do Brics. NĂŁo concordamos quando, ontem, o presidente dos Estados Unidos insinuou que vai taxar os paĂ­ses que negociarem com o Brics”.

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