FamĂ­lia acusa HRC de negligĂȘncia apĂłs morte de bebĂȘ em parto induzido

Por MetrĂłpoles 29/07/2025

Um parto induzido no Hospital Regional de CeilĂąndia (HRC) terminou em tragĂ©dia na madrugada da Ășltima quinta-feira (24/7), apĂłs a morte de um bebĂȘ recĂ©m-nascido. A famĂ­lia da gestante acusa a equipe mĂ©dica do hospital de negligĂȘncia por insistir no parto normal e adiar a realização de uma cesariana, mesmo diante da alegação de sinais de sofrimento fetal.

Maria Eduarda Batista, 25 anos, estava com 40 semanas de gestação e iniciou o processo de indução do parto na tarde de terça-feira (22/7), às 17h40, com uso de comprimidos administrados a cada quatro horas. Na manhã de quarta-feira (23/7), a gestante começou a sentir contraçÔes ritmadas e intensas. Segundo relato da mãe, a equipe médica insistiu no parto normal, apesar das dificuldades.

“Passei a quarta-feira inteira sentindo muita dor, sem conseguir comer. Pedia cesariana o tempo todo, mas diziam que parto normal era assim mesmo, demorado, e que tudo estava nos conformes”, contou Maria Eduarda.

Em determinado momento, a jovem chegou a desmaiar devido ao cansaço e Ă  dor. A mĂŁe dela tambĂ©m relatou que alertou os enfermeiros sobre o estado debilitado da gestante, mas a resposta recebida foi que ela deveria “evitar levantar da cama”.

O trabalho de parto durou mais de 24 horas. Por volta das 22h de quarta-feira (23/7), o bebĂȘ nasceu em parada cardiorrespiratĂłria, sem sinais de vida. Relatos dos pais contam que, apĂłs 35 minutos de reanimação, o recĂ©m-nascido voltou a respirar, mas ficou em estado grave. ApĂłs duas horas, nĂŁo resistiu.

Pedido de transferĂȘncia

A família afirma que tentou transferir Maria Eduarda para um hospital particular ainda durante o dia, diante da falta de avanços no parto, mas, segundo eles, a equipe do HRC teria alegado que o trabalho de parto jå estava em andamento.

Após a declaração de óbito, foi solicitada a necropsia. O documento aponta que o recém-nascido sofreu asfixia por um parto vaginal prolongado com distócia de ombro, complicação que dificulta a saída do feto.

A equipe de pediatria recebeu o bebĂȘ em morte aparente e realizou manobras de reanimação com intubação, compressĂ”es cardĂ­acas e administração de adrenalina. Por um breve momento, houve retorno dos batimentos cardĂ­acos, mas o quadro se agravou mesmo apĂłs as tentativas.

A mĂŁe, ainda abalada, precisou compartilhar o quarto com outras mĂŁes e seus bebĂȘs poucas horas apĂłs o Ăłbito do prĂłprio filho.

Investigação na PCDF

A famĂ­lia registrou Boletim de OcorrĂȘncia na PolĂ­cia Civil do Distrito Federal (PCDF) contra a equipe mĂ©dica do HRC, acusando negligĂȘncia.

Em nota, a Secretaria de SaĂșde do Distrito Federal (SES-DF) declarou que “a paciente foi atendida e acompanhada pela equipe mĂ©dica durante todo o procedimento. O protocolo de indução foi adequado e seguiu as indicaçÔes clĂ­nicas vigentes. A indução teve sucesso, e a paciente entrou em trabalho de parto espontĂąneo, sem sinais de sofrimento fetal ou desproporção entre o feto e a bacia materna. AtĂ© aquele momento, nĂŁo havia indicação formal para cesariana, razĂŁo pela qual o parto vaginal foi conduzido conforme os protocolos assistenciais”.

A pasta, ainda, lamentou o desfecho e informou que o caso serĂĄ investigado para esclarecer as circunstĂąncias da morte.

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