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Famílias de bairro em Cruzeiro do Sul recebem mandado de despejo de área em litígio

Por José Halif, ContilNet

Cerca de 30 famílias que residem na área conhecida como “setor em litígio”, no bairro da Várzea, em Cruzeiro do Sul, foram surpreendidas na manhã desta segunda-feira (29) com mandados judiciais de notificação e despejo. A decisão, expedida pela Justiça acreana, determina a desocupação voluntária dos imóveis num prazo de 20 dias. Caso não haja cumprimento, a retirada será realizada com uso de força policial e maquinário.

Famílias de bairro em Cruzeiro do Sul recebem mandado de despejo de área em litígio. Foto: Reprodução

A ação foi cumprida pelos oficiais de justiça Richardson Brito e Alan Gomes, que percorreram ruas como a Travessa do Porto e a Rua Amazonas para entregar os documentos. A decisão menciona 20 residências, mas, segundo os próprios moradores, mais de 30 famílias vivem no local — algumas há pelo menos quatro anos.

Entre os afetados está a aposentada Maria da Conceição Rodrigues, de 60 anos, que possui deficiência visual e dificuldades de locomoção. A situação gerou comoção na comunidade, que teme ficar sem alternativas habitacionais.

“Deram 20 dias pra passar a máquina e tirar tudo. A gente não tem pra onde ir”, disse um dos moradores ao lado de Maria da Conceição.

A área é alvo de disputa judicial, por se tratar de um terreno privado, e a decisão judicial autoriza que os oficiais de justiça ingressem nas residências mesmo com o uso da força, caso haja resistência por parte dos ocupantes.

Diante da notificação, os moradores se dirigiram até a sede da Prefeitura de Cruzeiro do Sul para solicitar apoio do poder público. A principal expectativa agora recai sobre a atuação da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania, que pode oferecer auxílio às famílias em situação de vulnerabilidade.

O mandado também autoriza, caso solicitado pelo município, o apoio da Defesa Civil para auxiliar no transporte dos pertences das famílias afetadas. No entanto, grande parte dos moradores afirma que não tem condições financeiras para alugar novos imóveis ou reconstruir suas casas em outra área da cidade.

A situação gera apreensão e incerteza entre os moradores, que pedem sensibilidade das autoridades e alternativas que evitem a retirada forçada de famílias em situação de risco social.

Veja o vídeo:

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