Um gato chamado Pierre foi atingido por um disparo de arma de pressão em Porto Velho e precisou passar por uma cirurgia de emergência na sexta-feira (4) para a retirada do projétil. De acordo com o tutor, José Antonio Trindade, o animal costumava sair de casa para passeios.
Ao g1, José contou que a história de Pierre começou há cerca de um ano, quando o gato apareceu em sua casa pedindo comida. Mesmo já tendo uma cadela, a família decidiu adotá-lo. A convivência entre os dois animais foi desafiadora nos primeiros quatro meses, mas, com o tempo, eles se adaptaram e passaram a se dar bem.
Pierre vítima de atentado com arma de pressão em Porto Velho — Foto: Reprodução/acervo pessoal
O disparo e o socorro
Quando Pierre retornou ferido após um passeio, o tutor inicialmente acreditou que o machucado havia sido causado por outro animal. No entanto, como o gato não apresentou melhora após dois dias, ele foi levado a uma clínica veterinária na quinta-feira (3). Exames de raio-x revelaram a chocante verdade: havia uma bala de arma de pressão alojada na pata traseira esquerda do animal.
Diante da gravidade da situação, Pierre precisou passar por uma delicada cirurgia para a remoção do projétil. O procedimento foi realizado pela médica veterinária Kathleen Zaine, que informou que, apesar da complexidade, o animal está estável, em recuperação e apresenta melhora significativa.
O tutor, indignado, informou que vai registrar um boletim de ocorrência para que o caso seja investigado pela polícia. Segundo ele, o episódio causou grande preocupação na vizinhança. “Não gostar de animais é normal, mas machucá-los é selvageria. Providências serão tomadas. Afugente os pets, mas não os violente. A selvageria pode atingir outros animais, não só o meu”, desabafou José Antonio.
Bala que ficou alojada no Pierre, vítima de atentado com arma de pressão em Porto Velho — Foto: Reprodução/acervo pessoal
Alerta de especialista sobre armas de pressão
A médica veterinária Kathleen Zaine relatou que casos como esse não são comuns, mas já atendeu outras ocorrências envolvendo disparos de armas contra animais. Segundo ela, a maioria é provocada por armas de pressão, como espingardas de chumbinho.
“O projétil é pequeno e, dependendo da força do impacto, pode atravessar músculos ou se alojar em ossos. Pelo formato e pela imagem no raio-x, conseguimos diferenciar o tipo de arma usada. Armas de fogo causam ferimentos bem mais destrutivos”, explicou Micheli, referindo-se aos impactos dos projéteis.
A médica alertou que ferimentos desse tipo, quando não tratados rapidamente, podem gerar complicações graves como infecções, necroses, fraturas, hemorragias internas, comprometimento neurológico e, em casos extremos, até a morte. Além do impacto físico, o trauma psicológico e o sofrimento prolongado também são fatores de risco para os animais.
“Sou totalmente contra. Mesmo sendo consideradas ‘não letais’, elas causam ferimentos graves e são frequentemente usadas de forma irresponsável. Em áreas urbanas, representam risco não apenas para animais, mas também para pessoas. Precisamos discutir a regulamentação e a conscientização sobre o uso dessas armas”, enfatizou a veterinária.
Prevenção e como denunciar
Micheli recomenda que tutores que permitem que seus gatos saiam sozinhos invistam em espaços controlados e seguros dentro de casa, com atrativos ou áreas teladas e “gatificações” (estruturas projetadas para o bem-estar dos felinos). “Dessa forma, é possível oferecer qualidade de vida ao animal sem expô-lo a riscos externos”, orientou.
Especialistas reforçam que, em casos de maus-tratos como este, é fundamental registrar um boletim de ocorrência e apresentar o laudo veterinário como prova. Imagens, exames de raio-x e relatórios médicos são documentos importantes para a investigação. A denúncia pode ser feita em qualquer delegacia ou em unidades especializadas em crimes contra o meio ambiente.
Fonte: G2
Redigido por ContilNet
