Ícone do site ContilNet Notícias

“Gladson, Bocalom e o jogo sucessório de 2026”: veja o artigo de José Américo

Por José Américo, ContilNet

A visita do governador Gladson Cameli às obras em andamento na cidade de Rio Branco, nesta quinta-feira (17), ao lado do prefeito Tião Bocalom, foi mais do que um gesto de cortesia institucional. Representou, de forma inequívoca, um movimento político com repercussões importantes para o tabuleiro eleitoral de 2026. O encontro é fruto de uma visita anterior de Bocalom ao governador, ocasião em que o prefeito o convidou pessoalmente para conhecer as principais realizações e frentes de trabalho da Prefeitura da capital.

E não há como negar: Bocalom tem o que mostrar. A capital acreana vive um dos períodos mais ativos de sua história no que se refere a obras públicas e transformação urbana. Desde 2021, quando assumiu seu primeiro mandato, o prefeito vem liderando uma gestão marcada por intervenções de grande porte e alto impacto — como o já entregue Elevado Bete Bocalom, a revitalização completa da Avenida Chico Mendes com iluminação cênica e ciclovia, o asfaltamento e recapeamento de centenas de ruas, além da reurbanização de praças e parques, com destaque para a Fonte Luminosa Interativa da Praça da Revolução, hoje um novo símbolo da cidade.

Bocalom e Gladson/Foto: Reprodução

Essas obras, somadas ao viaduto da Avenida Ceará e outras intervenções em execução, compõem um portfólio robusto e expressivo que — queiram ou não seus críticos — vai marcar a história política do Acre, especialmente da capital Rio Branco. Nunca se fez tanto em tão pouco tempo na capital acreana como nos dois mandatos de Tião Bocalom.

Mas é importante destacar que o conceito por trás dessas obras vai além da funcionalidade técnica. São intervenções que respeitam o momento, a necessidade e a oportunidade de execução, mas que incorporam também um cuidado com o valor simbólico e cultural dos espaços urbanos. São obras com arquitetura planejada, estética integrada ao território, pensadas para se tornarem cartões postais e verdadeiros patrimônios afetivos da cidade. O elevado Bete Bocalom já é um exemplo disso. O novo Mercado Elias Mansur, em construção, é outro projeto com esse perfil: moderno, funcional e com forte identidade cultural.

O mesmo vale para outras grandes obras em andamento, como o Polo Agroindustrial — que vai dinamizar a economia local —, a Fábrica de Leite de Soja, que alia segurança alimentar e geração de renda, além de três novas creches e mais restaurantes populares que reforçam o compromisso da gestão com inclusão social e qualidade de vida.

E não se trata apenas de obras físicas. A transformação também está no plano social, educacional, tecnológico e institucional. A atual gestão municipal promoveu investimentos estruturantes em saúde pública, com a reforma, revitalização e ampliação de mais de 40 unidades básicas de saúde espalhadas por toda a cidade. A valorização do servidor público também tem sido um eixo central: com reajustes, capacitação e respeito aos direitos trabalhistas, a Prefeitura firmou um novo modelo de relação com o funcionalismo.

Na área da tecnologia, Rio Branco vive uma verdadeira revolução digital. O uso de Pix para pagamento de taxas municipais, a aceleração de processos de abertura de empresas por meio de sistemas integrados e a modernização do atendimento ao cidadão demonstram o compromisso com a inovação e a desburocratização. A gestão também está levando internet gratuita a diversos pontos estratégicos da cidade, beneficiando, sobretudo, a população mais vulnerável, que antes tinha acesso restrito a meios de comunicação digital.

No campo da inclusão educacional e tecnológica, a entrega de milhares de tablets e notebooks para os professores da rede municipal reforça o compromisso com a educação do século XXI. O programa Tec Jovem, voltado para capacitação de adolescentes e jovens em áreas como tecnologia da informação, empreendedorismo e inovação, também tem se destacado como política pública de impacto social e futuro promissor.

Um caso emblemático do investimento em inteligência urbana é o sistema de vigilância com câmeras. A cidade já conta com centenas de câmeras instaladas em pontos estratégicos, em parceria com a Polícia Militar, o que tem contribuído para a redução consistente dos índices de criminalidade. Com um investimento modesto em relação ao porte da cidade, a Prefeitura conseguiu implantar uma política de segurança pública preventiva, tecnológica e eficaz, tornando Rio Branco referência no Acre e até mesmo na região Norte.

Mas se a visita foi administrativa no roteiro, teve claramente um subtexto político. Cameli evitou cravar nomes sobre quem será o candidato da direita acreana ao governo em 2026, embora tenha reiterado apoio à vice-governadora Mailza Assis, sua correligionária no Progressistas. A fala do governador foi diplomática, porém estratégica: “Ninguém é candidato de si próprio. É um grupo. E esse grupo tem que ser ouvido”.

A frase traduz o momento: a prioridade é governar, entregar obras, consolidar o legado. Mas a sucessão já está no horizonte. Cameli deu sinais de que 2025 será o ano de execução, e o início de 2026, o momento da definição. Ao citar que, se renunciar ao cargo em abril, Mailza se tornará governadora, ele deixou claro que a vice tem sua confiança — mas também reforçou que a decisão será construída coletivamente, ouvindo as lideranças.

É justamente nesse contexto que o nome de Tião Bocalom ganha peso. A trajetória política, a experiência acumulada e, principalmente, os resultados visíveis da sua gestão o colocam como um nome natural dentro do grupo. Não é à toa que Cameli, mesmo sem cravar, admitiu a possibilidade: “Mailza e Bocalom podem estar juntos. Tudo é possível”.

Trata-se, portanto, de um movimento coordenado: o governador demonstra respeito ao grupo e preserva a unidade política; a vice-governadora se prepara para assumir o cargo no momento certo; e o prefeito da capital segue entregando obras e consolidando seu nome como referência de gestão.

Em um cenário de desgaste da política tradicional e descrença generalizada da população, é natural que nomes com entregas concretas ganhem destaque. E o que está em curso no Acre é justamente isso: a construção de um legado administrativo como ativo político. Um projeto que se sustenta em realizações, não em promessas vazias. Um discurso comprovado, como definiu o próprio governador.

Ainda é cedo para definir quem será o candidato da direita ao governo do Estado em 2026. Mas uma coisa é certa: quem quiser assumir esse posto terá que se apresentar com resultados, liderança, capacidade de diálogo e respaldo popular. E, hoje, dentro do grupo político que governa o Acre, poucos têm esses atributos com tanta consistência quanto Tião Bocalom.

__________________________________________

José Américo Silva é jornalista, especialista em gerenciamento de crises e pós-graduado em Gestão da Comunicação Integrada

Sair da versão mobile