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“Gratificante”: mãe solo celebra lei que garante suporte a cuidadores e pais de crianças autistas

Por Vitor Paiva, ContilNet

A Prefeitura de Rio Branco sancionou, nesta segunda-feira (14), a lei que cria o Programa Municipal de Atenção e Orientação às Mães Atípicas, proposta pelo vereador Felipe Tchê. A medida, voltada ao acolhimento e suporte de famílias com crianças com deficiência, como o transtorno do espectro autista (TEA), foi recebida com emoção por mães e cuidadores que estiveram na solenidade no auditório do Palácio Municipal.

Um dos momentos mais marcantes da cerimônia foi o depoimento de Sara Souza, mãe solo e fundadora do Instituto Águia Azul, organização que atua diretamente com a comunidade autista em Rio Branco. Convidada a falar em nome de tantas mães cuidadoras, ela relatou os desafios da rotina de quem cuida e, muitas vezes, é esquecida pelas políticas públicas.

A nova legislação prevê acesso facilitado a serviços de saúde, assistência social, educação e ações de apoio psicológico e empregabilidade para os cuidadores/ Foto: ContilNet

“Para uma criança estar bem, o cuidador precisa estar bem. E nunca ninguém olhou para nós. Nunca tivemos esse olhar. Hoje, a gente sente gratidão em saber que o poder público está nos enxergando. Pode ser só o começo, mas já é muito significativo”, declarou. Sara compartilhou ainda sua própria trajetória. “Eu sou mãe atípica de gêmeos no espectro, sou mãe solo, como tantas outras. Lutamos sozinhas. Eu não tive apoio, mas hoje ver esse projeto se tornando lei me dá esperança de que outras mães terão o suporte que eu não tive.”

A fundadora do Instituto Águia Azul destacou que, embora existam iniciativas voltadas às crianças com deficiência, o cuidado com quem cuida sempre foi negligenciado. “Tem muitos programas para o autista, tem leis, tem instituições. Mas quem cuida de quem cuida? Muitas mães adoecem em silêncio, com depressão, sem rede de apoio. Essa lei nos toca diretamente. É o reconhecimento de uma luta silenciosa e diária.”

A nova legislação prevê acesso facilitado a serviços de saúde, assistência social, educação e ações de apoio psicológico e empregabilidade para os cuidadores. Segundo o autor do projeto, vereador Felipe Tchê, o programa foi construído a partir de um amplo debate com famílias, instituições e especialistas, durante audiência pública na Câmara Municipal.

“Essa nossa lei surgiu num debate muito amplo com mães, pais, cuidadores e cuidadoras atípicas. Essa escuta gerou o projeto que hoje se torna lei. E a fala da Sara, ainda na audiência pública, foi determinante para nos fazer entender a urgência desse tema. A Prefeitura agora alcança cerca de 30 mil pessoas que vivem essa realidade”, afirmou Tchê.

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