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Jovem é morto após ser acusado de furtar chocolate; quatro são indiciados por homicídio

Por Redação ContilNet

O caso de Rodrigo da Silva Boschen, de 22 anos, que teria sido acusado de furtar um chocolate de R$ 5,99 em um supermercado no bairro Portão, em Curitiba (PR), terminou de forma trágica e violenta. Ele foi perseguido por funcionários e seguranças do mercado e encontrado morto momentos depois. A Polícia Civil concluiu o inquérito nesta semana e indiciou quatro homens por homicídio qualificado.

De acordo com a investigação, Rodrigo era conhecido no local e costumava fazer compras regularmente antes de visitar a avó, que mora em frente ao supermercado. No dia 17 de junho, no entanto, ele entrou na loja sem carrinho ou cesta, carregando alguns produtos nas mãos e nos bolsos. Na hora de sair, afirmou à operadora de caixa que não tinha nada para pagar. Ela o liberou, mas notou um chocolate ainda em seu bolso. A funcionária chamou um segurança, gesto que, segundo a investigação, marcou o início da perseguição.

Rodrigo da Silva Boschen, de 22 anos, que teria sido acusado de furtar um chocolate de R$ 5,99, foi morto por seguranças / Foto: Reprodução

O segurança terceirizado Bryan Gustavo Teixeira abordou Rodrigo com o produto em mãos. Segundo ele relatou à polícia, pediu o chocolate de volta e disse que não o agrediria. Mas o jovem se virou e correu. Bryan o perseguiu, comunicando via rádio a fuga. O chefe da vigilância teria orientado para que parassem, afirmando que o mercado não autorizava esse tipo de abordagem fora das dependências da loja. Ainda assim, a perseguição continuou.

As câmeras de segurança mostram Rodrigo sendo seguido por Bryan, pelo funcionário Luiz Roberto Costa Barbosa e por Antônio Cesar Bonfim Barros, outro segurança do supermercado. No trajeto, Luiz Roberto teria pedido ajuda a um motociclista, identificado como Henrique Moreira Alves Pinheiro do Carmo, que passava pela rua. O grupo cercou Rodrigo e, segundo o Ministério Público, o abordou com extrema violência.

Rodrigo entrou na loja sem carrinho ou cesta, carregando alguns produtos nas mãos e nos bolsos / Foto: Reprodução

Conforme o inquérito, Rodrigo foi imobilizado com um mata-leão, agredido com socos e chutes, e submetido a estrangulamento. Mesmo diante da gravidade das agressões, nenhum dos envolvidos acionou socorro. Ao contrário: câmeras mostram três deles carregando o corpo e o abandonando em um gramado, a duas quadras do mercado. O Corpo de Bombeiros foi chamado por uma testemunha e confirmou o óbito no local.

As câmeras de segurança mostram Rodrigo sendo seguido por seguranças do supermercado / Foto: Reprodução

Os quatro homens — Bryan, Luiz Roberto, Antônio e Henrique — foram indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a Polícia Civil, os acusados tinham total consciência das agressões e contribuíram de forma decisiva para a morte, seja por ação direta ou omissão.  O segurança Luiz Eduardo Alves, que chegou ao local depois da morte, foi preso no dia do crime, mas não foi indiciado.

A defesa de Bryan nega a participação dele nas agressões e afirma que o segurança tentou impedir a violência do colega Luiz Roberto. Já os advogados de Henrique, Luiz Roberto e Antônio não foram localizados. O supermercado Muffato declarou, em nota, que colaborou com a investigação, lamentou o ocorrido e os excessos cometidos, e se colocou à disposição da Justiça e da família da vítima.

O inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público, que tem até cinco dias para decidir se apresenta denúncia formal ou arquiva o caso.

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