Comerciantes de Sena Madureira estão enfrentando uma situação curiosa e, ao mesmo tempo, preocupante: a dificuldade para conseguir moedas está alimentando um comércio paralelo. Para garantir o troco necessário ao funcionamento das lojas, empresários relatam que estão sendo obrigados a pagar até 10% a mais sobre o valor das moedas.
Segundo informações apuradas pelo site YacoNews, grupos e até mesmo instituições religiosas acumulam grandes quantias de moedas e oferecem aos comerciantes locais, mas só aceitam trocar por cédulas mediante um “acréscimo”. A prática funciona de forma simples: quem leva R$ 50 em moedas, só recebe R$ 55 em notas.
A prática funciona de forma simples: quem leva R$ 50 em moedas, só recebe R$ 55 em notas / Foto: Reprodução
Com poucos recursos para conseguir troco no sistema bancário e pressionados pela necessidade de manter os caixas funcionando normalmente, muitos lojistas acabam aceitando as condições impostas. “Já tentamos outras alternativas, mas quem detém as moedas está lucrando com essa situação”, revelou um comerciante, que preferiu não se identificar.
O problema se agrava com a ausência de medidas do Banco Central, da rede bancária e das autoridades municipais para solucionar a falta de moedas na cidade. Especialistas ouvidos pelo YacoNews alertam que esse tipo de prática pode ser considerado ilegal, já que configura operação financeira sem autorização e pode ser denunciado aos órgãos competentes, como o Procon e o próprio Banco Central.
Comerciantes temem que, se nada for feito, essa cobrança extra acabe sendo repassada ao consumidor final, aumentando ainda mais o custo de vida na cidade. Em Sena Madureira, o troco virou produto raro — e caro.
