O anúncio da cobrança de uma nova taxa de visto para a entrada nos Estados Unidos tem provocado uma corrida pelo serviço antes da cobrança entrar em vigor. O valor adicional, chamado de “taxa de integridade do visto”, foi sancionado pelo presidente Donald Trump com a aprovação do megapacote fiscal no início de julho. A taxa é destinada a solicitantes do visto de não imigrante, que permite viajar ao país a turismo, por exemplo.
A cobrança extra, no valor de US$ 250, será cobrada na emissão do visto. Ou seja, quem tiver o visto negado, não paga. Há também alguns casos em que o valor pode ser reembolsado.
A nova tarifa será somada à taxa que já é imposta para quem solicita o visto, hoje no valor de US$ 185. Com esse acréscimo, quem tiver o visto aprovado pagará, no total, US$ 435 – o que passa de R$ 2,4 mil pela cotação atual.
A aprovação do pacote não deixa claro o início da cobrança extra, mas o próximo ano fiscal dos Estados Unidos já começa a valer a partir de outubro.
O CEO da NOW Vistos, David Leite, atua há 15 anos oferecendo serviços de despachante de visto americano. E diz que já está notando os primeiros reflexos da expectativa de um aumento na tarifa dos vistos:
“Hoje, quem está dando entrada em uma aplicação de visto, a primeira vaga que ela tem disponível é ali a partir do dia 1 de outubro (…) Para você ter uma ideia, antes da taxa, as primeiras vagas estavam para o início de setembro. Só de sair a notícia, já acabou o mês de setembro e já está para outubro, entendeu?”
David Leite diz ainda que, antes do anúncio da taxa adicional, a empresa estava vivendo o ano com menos registros de processos – um reflexo das políticas anti-imigração de Donald Trump, que, até então, estava assustando os solicitantes de visto.
Ele explica ainda que só o anúncio de uma nova taxa fez a demanda pelo serviço disparar. Desde a semana passada, a procura triplicou: antes, a empresa recebia de 25 a 30 processos; agora o número já chega a noventa.
A reportagem da CBN esteve nesta terça-feira no Consulado dos Estados Unidos em São Paulo. Mas o movimento ainda não foi impactado, já que os atuais solicitantes de visto só vão ser atendidos daqui a alguns meses.
Mas a Daniela, que trabalha em um comércio que depende do movimento do consulado, teme que essa nova taxa vai afastar quem não tem muito recurso, mas deseja ir para os Estados Unidos. Mesmo com reembolso, esse dinheiro pode fazer diferença para quem economizou antes dessa tarifa adicional.
“E quem tem aquele dinheiro limitado? Porque as vezes você…. ah, não é que eu quero ir embora para ficar lá, mas quero realizar o sonho de uma viagem. Meu dinheiro é limitado, eu consigo o visto, mas tenho que tirar dinheiro de onde eu não posso para garantir pros caras que eu vou voltar para depois devolver meu dinheiro”.
O visto de não imigrante é solicitado em vários casos além do turismo, como viagem a negócios, estudantes, intercâmbio, trabalhadores temporários e até a atletas e artistas. Por essa razão, é esperado um movimento grande em embaixadas e consulados em uma corrida contra o tempo para escapar da nova taxa.

