Prefeitura de Salvador Ă© alvo de questionamentos apĂłs aumentar taxa de lixo em 50%

Por MetrĂłpoles 29/07/2025

A Prefeitura de Salvador aumentou em atĂ© 50% a taxa de ResĂ­duos SĂłlidos Domiciliares (TRSD), conhecida como “Taxa do Lixo”. A medida, no entanto, Ă© apontada como irregular por vereadoras, uma vez que, segundo elas, nĂŁo hĂĄ embasamento jurĂ­dico para a alta, que estĂĄ acima da inflação.

A Taxa de Lixo Ă© cobrada no mesmo boleto do Imposto Predial e Territorial e Urbano (IPTU), que Ă© corrigido pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No ano passado, o IPCA fechou em 4,83%, valor bem abaixo da alta do TRSD para os moradores de Salvador.

“Conforme o CĂłdigo TributĂĄrio do MunicĂ­pio, a base de cĂĄlculo da TRSD deve refletir o custo real dos serviços de coleta, tratamento e destinação dos resĂ­duos, e ser rateada entre os contribuintes segundo critĂ©rios objetivos como ĂĄrea construĂ­da, localização e uso do imĂłvel”, explica a vereadora Marta Rodrigues (PT).

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A Taxa de Lixo é um valor cobrado pelos municípios para realizar a coleta de resíduos. O valor cobrado é destinado para custear tanto o serviço de coleta, como o transporte, tratamento e a destinação final desses produtos.

Segundo a petista, a Prefeitura de Salvador nĂŁo apresentou a demonstração dos gastos efetivos com a coleta e destinação dos resĂ­duos. “NĂŁo houve sequer a atualização cadastral exigida para concessĂŁo da isenção. Foi um aumento que pune os mais pobres e beneficia apenas a arrecadação sem critĂ©rio”, afirma a vereadora do PT.

DistorçÔes na cobrança

De acordo com a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), alĂ©m do aumento de atĂ© 50% na alĂ­quota, hĂĄ tambĂ©m o registro de distorçÔes na cobrança: “terrenos maiores e residĂȘncias com ĂĄreas maiores tiveram um reajuste menor do que as residĂȘncias comuns, menores”.

Aladilce ainda denuncia que há uma injustiça tributária em Salvador, “que só faz aprofundar, ampliar as desigualdades e a pobreza da cidade. É uma legislação muito injusta e que precisa ser reduzida”.

O Metrópoles questionou a Prefeitura de Salvador a respeito do aumento acima da inflação da Taxa do Lixo, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Renovação da concessão

A alta da TRSD foi anunciada em janeiro deste ano, logo depois que Bruno Reis (UniĂŁo Brasil) assumiu o segundo mandato na capital baiana. Na mesma Ă©poca, o governo municipal renovou por mais 20 anos a concessĂŁo do Aterro Metropolitano Centro (AMC) para a empresa Battre, ao custo de R$ 2,6 bilhĂ”es, sem licitação ou debate pĂșblico.

Para verificar a viabilidade da renovação, a prefeitura contratou a Fundação Instituto de Pesquisas EconÎmicas (Fipe), de São Paulo, ao custo de R$ 1,8 milhão, para realizar um estudo que recomendou a prorrogação do contrato.

A Aladilce Souza apontou que não hå informaçÔes claras a respeito da renovação do contrato e que irå solicitar mais detalhes à prefeitura para entender melhor o motivo pelo qual o funcionamento do aterro foi prorrogado por mais 20 anos.

A empresa Battre, por meio de nota, defendeu a legalidade da renovação do contrato de concessão, realizada pela Prefeitura de Salvador, destacando que seguiu todos os trùmites legais e foi baseada em estudos técnicos da Fipe.

Conforme informaçÔes da Battre, o aterro Ă© monitorado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do NĂșcleo de Estudos HidrogeolĂłgicos e do Meio Ambiente (Nehma). “A qualidade das ĂĄguas ao redor do AMC vem sendo mantida dentro dos padrĂ”es exigidos, nĂŁo havendo indĂ­cios de alteração significativa ou contaminação decorrente das operaçÔes do aterro.”

O Metrópoles solicitou junto a Prefeitura de Salvador e a Fipe o estudo que viabilizou a renovação contratual, mas não obteve retorno.

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