A Prefeitura de Salvador aumentou em atĂ© 50% a taxa de ResĂduos SĂłlidos Domiciliares (TRSD), conhecida como âTaxa do Lixoâ. A medida, no entanto, Ă© apontada como irregular por vereadoras, uma vez que, segundo elas, nĂŁo hĂĄ embasamento jurĂdico para a alta, que estĂĄ acima da inflação.
A Taxa de Lixo Ă© cobrada no mesmo boleto do Imposto Predial e Territorial e Urbano (IPTU), que Ă© corrigido pela variação do Ăndice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No ano passado, o IPCA fechou em 4,83%, valor bem abaixo da alta do TRSD para os moradores de Salvador.
âConforme o CĂłdigo TributĂĄrio do MunicĂpio, a base de cĂĄlculo da TRSD deve refletir o custo real dos serviços de coleta, tratamento e destinação dos resĂduos, e ser rateada entre os contribuintes segundo critĂ©rios objetivos como ĂĄrea construĂda, localização e uso do imĂłvelâ, explica a vereadora Marta Rodrigues (PT).
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A Taxa de Lixo Ă© um valor cobrado pelos municĂpios para realizar a coleta de resĂduos. O valor cobrado Ă© destinado para custear tanto o serviço de coleta, como o transporte, tratamento e a destinação final desses produtos.
Segundo a petista, a Prefeitura de Salvador nĂŁo apresentou a demonstração dos gastos efetivos com a coleta e destinação dos resĂduos. âNĂŁo houve sequer a atualização cadastral exigida para concessĂŁo da isenção. Foi um aumento que pune os mais pobres e beneficia apenas a arrecadação sem critĂ©rioâ, afirma a vereadora do PT.
DistorçÔes na cobrança
De acordo com a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), alĂ©m do aumento de atĂ© 50% na alĂquota, hĂĄ tambĂ©m o registro de distorçÔes na cobrança: âterrenos maiores e residĂȘncias com ĂĄreas maiores tiveram um reajuste menor do que as residĂȘncias comuns, menoresâ.
Aladilce ainda denuncia que hĂĄ uma injustiça tributĂĄria em Salvador, âque sĂł faz aprofundar, ampliar as desigualdades e a pobreza da cidade. Ă uma legislação muito injusta e que precisa ser reduzidaâ.
O Metrópoles questionou a Prefeitura de Salvador a respeito do aumento acima da inflação da Taxa do Lixo, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.
Renovação da concessão
A alta da TRSD foi anunciada em janeiro deste ano, logo depois que Bruno Reis (UniĂŁo Brasil) assumiu o segundo mandato na capital baiana. Na mesma Ă©poca, o governo municipal renovou por mais 20 anos a concessĂŁo do Aterro Metropolitano Centro (AMC) para a empresa Battre, ao custo de R$ 2,6 bilhĂ”es, sem licitação ou debate pĂșblico.
Para verificar a viabilidade da renovação, a prefeitura contratou a Fundação Instituto de Pesquisas EconÎmicas (Fipe), de São Paulo, ao custo de R$ 1,8 milhão, para realizar um estudo que recomendou a prorrogação do contrato.
A Aladilce Souza apontou que não hå informaçÔes claras a respeito da renovação do contrato e que irå solicitar mais detalhes à prefeitura para entender melhor o motivo pelo qual o funcionamento do aterro foi prorrogado por mais 20 anos.
A empresa Battre, por meio de nota, defendeu a legalidade da renovação do contrato de concessão, realizada pela Prefeitura de Salvador, destacando que seguiu todos os trùmites legais e foi baseada em estudos técnicos da Fipe.
Conforme informaçÔes da Battre, o aterro Ă© monitorado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do NĂșcleo de Estudos HidrogeolĂłgicos e do Meio Ambiente (Nehma). âA qualidade das ĂĄguas ao redor do AMC vem sendo mantida dentro dos padrĂ”es exigidos, nĂŁo havendo indĂcios de alteração significativa ou contaminação decorrente das operaçÔes do aterro.â
O Metrópoles solicitou junto a Prefeitura de Salvador e a Fipe o estudo que viabilizou a renovação contratual, mas não obteve retorno.

