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Sem registro há 25 anos, Acre corre risco de enfrentar onda de sarampo após Bolívia confirmar 80 casos

Por Vitor Paiva, ContilNet

O Governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), apresentou nesta terça-feira (8) as estratégias de vigilância e prevenção adotadas para evitar a reintrodução do sarampo no estado, após a confirmação de 80 casos da doença na Bolívia. A situação acende um alerta, especialmente nas regiões de fronteira, como Brasiléia, Epitaciolândia e Assis Brasil, devido à intensa circulação de pessoas entre os dois países.

Desde os anos 2000 o Acre não registra casos/Foto: ContilNet

A coletiva de imprensa contou com a presença da secretária adjunta de Atenção à Saúde, Ana Cristina Moraes, além de técnicos da Sesacre, entre eles a médica infectologista Cirley Lobato, a coordenadora estadual do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Renata Quiles, e a responsável técnica pelas Doenças Imunopreveníveis, Renata Meirelles.

Durante o evento, a Sesacre destacou a intensificação das ações de imunização e de controle sanitário nas fronteiras, além da articulação com estados vizinhos como Rondônia. O Acre não registra casos confirmados de sarampo desde o ano 2000.

Renata Meirelles alertou para o risco de disseminação do vírus devido à natureza da fronteira. “É uma fronteira aberta Brasil-Bolívia. É um vírus que tem uma alta transmissibilidade, muito mais transmissível do que até o próprio Covid, então nós precisamos ter muito, muito cuidado com relação a isso”, afirmou. “Há 25 anos nós não temos casos confirmados de sarampo no Estado, e o nosso maior meio de prevenção é a vacinação.”

A cobertura vacinal entre crianças menores de dois anos tem se mostrado insuficiente em relação à segunda dose da tríplice viral, conforme explicou Renata Quiles. “No ano de 2024 e 2025, a gente tem entre as crianças menores de dois anos cobertura de primeira dose satisfatória. Segunda dose já é insatisfatória, ou seja, abaixo da meta de 95% de cobertura vacinal. Mas lembrando que nós temos aí uma grande população adulta, jovem, não vacinada, sem conhecimento do seu histórico vacinal.”

Ela também criticou a ideia de responsabilizar estrangeiros pela circulação do vírus. “Havia uma fala muito distorcida de que é culpa dos estrangeiros. Lembrando que a culpa é nossa, que não fazemos o dever do dia a dia. Se nós estivermos com as coberturas vacinais altas e homogêneas, pode entrar a doença que for, por qual caminho que for, que a nossa população vai estar protegida.”

A vacinação é a principal forma de prevenção/Foto: Reprodução

Segundo a médica infectologista Cirley Lobato, o sarampo é uma doença aguda com alto potencial de agravamento. “A transmissão se dá através de gotícula quando o pessoal tosse, fala, espirra. O período de incubação vai até 14 dias, e as manifestações clínicas são febre, dor de cabeça, mancha no corpo, pode ter uma conjuntivite. Ela pode evoluir para um quadro muito mais grave com pneumonia, com meningite e até óbito.”

Cirley reforçou que além da vacinação, medidas simples do dia a dia também são fundamentais. “Evite aglomerados, porque o maior risco de transmissão é quando você tem muita gente próxima. Se tiver sintomas, fique em casa, evite expor outras pessoas ao vírus, e procure atendimento médico porque essa doença pode evoluir com complicações.”

Sobre a capacidade da rede pública de saúde, ela garantiu que as unidades básicas estão aptas a fazer o atendimento e o diagnóstico precoce. “As doenças infecciosas, no início, são muito parecidas. Os colegas estão cientes da possibilidade, já que estão sabendo desse surto na Bolívia. Se eu não penso que pode ser sarampo, eu não faço o diagnóstico. Mas os profissionais estão sendo alertados e capacitados a fazer o diagnóstico diferencial com os outros agravos que estão ocorrendo nesse momento.”

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde do estado. Para garantir a imunização completa, é necessário tomar as duas doses. A Sesacre reforça o chamado à população, especialmente aos pais e responsáveis, para verificar o cartão de vacinação e atualizar o esquema vacinal.

A secretaria também orienta que a população fique atenta aos principais sintomas da doença: febre alta, manchas avermelhadas na pele, tosse, coriza e conjuntivite. Em caso de sintomas, a recomendação é procurar a unidade de saúde mais próxima.

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