Uma mulher foi vĂtima de violĂȘncia sexual a cada 12 horas nos primeiros seis meses de 2025 no estado de SĂŁo Paulo, indicam dados do Mapa Nacional da ViolĂȘncia de GĂȘnero, divulgado nessa terça-feira (26/8) pelo Senado Federal. Do total, 677 foram consumados e 70 tentados.
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A pesquisa tambĂ©m indicou a ocorrĂȘncia de 187 estupros por dia em todo o paĂs, que vitimam principalmente mulheres (85%).
A violĂȘncia contra a mulher em SP
- O total das 747 vĂtimas paulistas do primeiro semestre do ano equivale a 3,17 casos a cada 100 mil habitantes.
- A maior parte dos episĂłdios (62,5%) ocorreram em uma residĂȘncia, seja da vĂtima ou do agressor, em seguida de vias pĂșblicas (20,6%) e estabelecimentos comerciais (9,2%).
- Uma parcela esmagadora (745 dos casos) ocorreu sem emprego de arma para realização da violĂȘncia.
- A vitimização por faixa etĂĄria Ă© bastante equilibrada, sendo mais frequente a violĂȘncia contra mulheres entre 30 e 59 anos (34,1%), seguida de 18 a 29 anos (33,6%) e de atĂ© 17 anos (30,2%).
- No recorte estadual, nĂŁo hĂĄ classificação de vĂtimas por raça. O cenĂĄrio nacional mostra, no entanto, que a maior parte das vĂtimas Ă© formada por pardas (33,5%), seguida de mulheres brancas (17%) e pretas (8,4%). Em 38,8% dos casos, a raça nĂŁo Ă© informada.
Subnotificação dificulta combater violĂȘncia contra a mulher
Para Raquel Gallinati, presidente da Associação dos Delegados de PolĂcia do Brasil (Adepol), ainda que alarmantes, os dados nĂŁo representam a realidade do estado de SĂŁo Paulo e de todo o Brasil. A razĂŁo Ă© a subnotificação dos casos.
âA estatĂstica Ă© que a subnotificação chega a 80% dos casos, porque os crimes de violĂȘncia contra a mulher, quando ocorrem na clandestinidade, ou seja, entre quatro paredes, sĂŁo extremamente difĂceis de serem comunicados, de chegarem ao conhecimento do poder pĂșblico, do sistema de justiça criminal. [Isso] porque as vĂtimas, muitas vezes, estĂŁo inebriadas nesse ciclo criminoso de relaçãoâ, afirmou.
Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pela University of Washington (EUA) e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e divulgada em 2023, mostrou que subnotificação de violĂȘncia contra as mulheres no Brasil Ă© de 98,5% para violĂȘncia psicolĂłgica, 75,9% para violĂȘncia fĂsica, e 89,4% para violĂȘncia sexual.
âExiste uma barreira invisĂvel no inconsciente coletivo que impede tambĂ©m mulheres, principalmente de crimes sexuais ou crimes de violĂȘncia domĂ©stica, a denunciarem. Isso porque essa Ă© uma vĂtima que Ă© estereotipada, Ă© julgada. Ela Ă© o tempo todo culpabilizada pelo inconsciente coletivo. EntĂŁo, para romper essa margem julgadora da sociedade permanente, a mulher tem que ter muita força, muita coragemâ, afirmou a delegada da PolĂcia Civil de SĂŁo Paulo.

