Acre é o estado menos favorável a exame para médicos recém-formados, aponta Datafolha

Em contrapartida, Goiás registrou o maior índice de aprovação, chegando a 98%

Uma pesquisa do instituto Datafolha, encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e publicada nesta quarta-feira (27), revelou que a maioria dos brasileiros defende a criação de um exame de proficiência para médicos recém-formados antes que eles possam atender a população.

No levantamento, realizado com 10.524 pessoas em 254 municípios, 96% dos entrevistados disseram apoiar a prova, enquanto apenas 3% afirmaram ser contra e 1% não opinou.

O Acre, no entanto, aparece como o estado com menor índice de apoio: 92% da população acreana se mostrou favorável à medida, abaixo da média nacional. Em contrapartida, Goiás registrou o maior índice de aprovação, chegando a 98%.

Acre é o estado menos favorável a exame para médicos recém-formados/Foto: Reprodução

A pesquisa mostrou ainda que, para 92% dos entrevistados, a aplicação do exame aumentaria a confiança nos serviços de saúde. Outros 4% acreditam que a medida diminuiria a credibilidade do atendimento, 3% avaliam que não haveria mudança e 1% não soube responder.

Quando questionados sobre quem deveria ser submetido à avaliação, 98% defenderam que todos os recém-formados passem pela prova, independentemente da faculdade em que estudaram. Apenas 2% disseram que o exame deveria se restringir aos médicos formados no exterior.

Discussão no Congresso

O tema já está em debate no Senado, por meio de um projeto de lei apresentado em 2024 pelo senador Marcos Pontes (PL-SP). A proposta prevê a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina, que funcionaria como requisito para que médicos recém-formados obtenham o registro junto aos Conselhos Regionais de Medicina (CRM).

Segundo o CFM, a medida se tornou necessária diante do rápido crescimento do número de cursos de medicina no país, que saltaram de cerca de 100 no início dos anos 2000 para mais de 400 atualmente. Muitas dessas instituições, de acordo com a entidade, não possuem hospitais-escola ou estrutura adequada para formar profissionais.

O presidente do Conselho, José Hiran Gallo, destacou que a adesão popular demonstra a preocupação da sociedade com a qualidade do atendimento médico. Para ele, o exame servirá não apenas para avaliar conhecimentos e habilidades clínicas, mas também para elevar o padrão educacional das faculdades.

Paralelamente, o Ministério da Educação anunciou a aplicação do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), previsto para 19 de outubro de 2025. A prova será obrigatória para estudantes que estão concluindo o curso de medicina e servirá para medir a qualidade do ensino oferecido pelas universidades.

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