O estado do Acre apresentou uma redução significativa no número de queimadas neste mês de agosto, quando comparado ao mesmo período do ano passado.
De acordo com dados do Painel de Fogo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre os dias 1º de agosto, até este sábado (23), foram contabilizados 179 focos de calor, contra 1.151 registros no mesmo intervalo de 2024, queda que representa 84,4%.
Em 2024, a situação do estado era alarmante, com mais de mil focos identificados apenas em 23 dias/ Foto: CBMAC
Municípios mais afetados
Apesar da redução, alguns municípios continuam figurando entre os que mais concentram queimadas no estado. Feijó lidera novamente o ranking, com 42 focos (23,5% do total). Em seguida aparecem Tarauacá (29 focos, 16,2%) e Rio Branco (24 focos, 13,4%). Na sequência estão Manoel Urbano (17 focos) e Cruzeiro do Sul (12 focos).
No ano passado, o cenário era muito mais grave: só em Feijó haviam sido registrados 290 focos, seguidos por Tarauacá (188) e Cruzeiro do Sul (136). Juntas, essas três cidades responderam por mais de 50% das queimadas no Acre em agosto de 2024.
Em 2024, a situação do estado era alarmante, com mais de mil focos identificados apenas em 23 dias. Municípios de pequeno porte, como Jordão, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus, também sofreram com queimadas naquele ano.
Já em 2025, praticamente todos os municípios tiveram uma redução expressiva, e em alguns casos os registros foram residuais, com apenas 1 ou 2 ocorrências.
Além da redução geral nos números, os dados do Inpe mostram que as áreas de preservação também foram afetadas pelas queimadas em agosto de 2025. No período analisado, seis focos foram registrados em Terras Indígenas no Acre, sendo a TI Mamoadate a mais atingida, com dois casos (33,3% do total). Outras quatro terras — Arara do Igarapé Humaitá, Cabeceira do Rio Acre, Kaxinawá da Praia do Carapanã e Kaxinawá do Baixo Rio Jordão — também registraram queimadas, cada uma com um foco.
Nas Unidades de Conservação Federais, os números foram ainda mais expressivos: 13 ocorrências em apenas 23 dias. A Reserva Extrativista Chico Mendes concentrou mais da metade dos registros, com sete focos (53,8%). Já a Floresta Nacional de Santa Rosa do Purus, o Parque Nacional da Serra do Divisor e a Resex do Alto Juruá tiveram dois focos cada. Os dados reforçam a vulnerabilidade dessas áreas protegidas, que mesmo diante da queda geral de queimadas no estado, seguem sob constante pressão de atividades ilegais e do uso descontrolado do fogo.
