Antes de fazer qualquer aliança, MDB deve primeiro resolver suas brigas internas

O partido entrou em uma guerra fria que parecia ter sido sanada, mas que, na última semana, foi reacendida e rachou a sigla ao meio

O MDB começou o ano como a princesinha dos olhos de ouro para vários partidos que pretendem firmar alianças para as eleições de 2026. Embora não tenham sido eleitos, Marcus Alexandre e Jéssica Sales se tornaram nomes que credenciaram os emedebistas a barganhar com outras siglas.

Contudo, com a morte do ex-governador Flaviano Melo, o partido entrou em uma guerra fria que parecia ter sido sanada, mas que, na última semana, foi reacendida e rachou a sigla ao meio.

De um lado, o leão do Vale do Juruá, o ex-prefeito Vagner Sales, que assumiu a presidência do partido interinamente e tem um ‘namoro’ com o senador Alan Rick. Do outro, o deputado estadual Tanízio Sá, que sonha em levar o partido para o palanque de Mailza Assis em 2026.

Evento do MDB que ocorreu nas últimas semanas/Foto: ContilNet

A verdade é que, antes de fazer qualquer aliança, o MDB precisa resolver esse racha interno — e o ultimato está próximo. Daqui a uns dias, a cúpula do partido vai escolher entre Vagner e Tanízio para guiar o MDB nas eleições de 2026.

A depender da escolha, o MDB deverá pousar de vez na base do governo Gladson/Mailza ou optar por formar uma aliança que enfrente diretamente a reeleição da vice-governadora.

Jessica como prioridade

Nos bastidores, emedebistas garantem que a prioridade do partido para 2026 atende pelo nome de Jéssica Sales. A ex-deputada federal é vista como a principal aposta do MDB e pode até surgir como candidata a vice-governadora na chapa de Alan Rick, caso a aliança com o senador se concretize. Se o acordo não avançar, Jéssica é o nome favorito para encabeçar a chapa do partido na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.

Apostam grande!

O MDB também avalia que Marcus Alexandre é o nome ideal para liderar a chapa de deputado estadual em 2026. A sigla, que hoje conta apenas com Tanízio Sá e Antônia Sales na Aleac, perdeu recentemente Emerson Jarude, um dos mais votados da última eleição, que deixou o partido e se filiou ao NOVO. Jarude foi peça-chave para fortalecer a legenda, mas emedebistas acreditam que Marcus pode assumir esse papel com ainda mais força. Com uma base política consolidada, o ex-prefeito de Rio Branco é apontado como favorito a brigar pelo título de mais votado do Acre.

Nem sob tortura

Enquanto a ministra Simone Tebet, uma das principais figuras do MDB no cenário nacional, é sondada como possível candidata a vice-presidente na chapa de Lula em 2026, no Acre a história é bem diferente. Por aqui, emedebistas descartam qualquer aliança com o PT — “nem sob tortura”, como resumem dirigentes. A relação entre os dois partidos azedou de vez após a derrota de Marcus Alexandre na eleição para a Prefeitura de Rio Branco no ano passado.

Alerta ligado

O senador Sérgio Petecão enfrenta dificuldades para montar uma chapa competitiva pelo PSD nas eleições de 2026. O partido conta hoje com apenas dois deputados estaduais na Aleac, mas ambos devem deixar a legenda após divergências com o próprio Petecão. A saída fragiliza ainda mais a base do PSD, que também não tem nomes consolidados para a disputa ao Congresso Nacional. O recado nos bastidores é claro: o senador precisa abrir o olho.

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