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Ao lado de Lula, Gladson mostrou ser um estadista e que governar exige pontes, não muros

Por Matheus Mello, ContilNet

Em tempos de polarização e trincheiras políticas bem demarcadas, gestos que parecem simples ganham peso de ato político calculado. Foi o caso do governador do Acre, Gladson Cameli (PP), nesta semana.

Ao lado de Lula, Gladson mostrou ser um estadista e que governar exige pontes, não muros. Foto: ContilNet

Mesmo tendo declarado apoio a Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 e sendo reconhecidamente um político mais alinhado à direita, Cameli não titubeou em receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no aeroporto de Rio Branco. Mais do que isso: dividiu o helicóptero com o petista para um sobrevoo sobre a capital, participou de agendas oficiais e, diante das câmeras, agradeceu o anúncio de mais de R$ 1 bilhão em investimentos federais para o estado.

Na prática, foi um recado claro: Cameli sabe que, para o Acre, que depende quase integralmente de recursos da União, não há espaço para rompantes ideológicos. Fechar as portas com o Palácio do Planalto por orgulho ou cálculo eleitoral seria condenar o estado a prejuízos — e ele não está disposto a pagar essa conta.

O governador, que já demonstrou não ser adepto de extremismos, apostou no pragmatismo e no papel de estadista. Em vez de reforçar barreiras políticas, construiu pontes — e, no jogo político, quem constrói pontes geralmente passa com mais facilidade por elas.

Se foi um movimento de pura diplomacia institucional ou também um cálculo político de olho no futuro, só o tempo vai dizer. Mas, por ora, Cameli sai do episódio com a imagem de quem sabe separar disputa eleitoral de gestão, algo raro nos dias de hoje.

Recíproco

Governador do Acre recebeu o presidente do país na última sexta-feira (8). Foto: ContilNet

O gesto de pragmatismo não foi só de Gladson Cameli. Lula também adotou a mesma postura. Apesar de o Acre ter dado, proporcionalmente, uma das maiores votações a Jair Bolsonaro em 2022, o presidente manteve o estado no radar de investimentos bilionários.

Assim como fez em seus mandatos anteriores, Lula volta a destinar recursos robustos e a priorizar obras estruturantes no Acre. Não por acaso, muitas das obras mais importantes do estado — das rodovias a grandes equipamentos públicos — carregam o selo de suas gestões.

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