Com quase 4 mil casos em um ano, Cruzeiro do Sul inicia formação de educadores no combate à malária

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Marcelo Siqueira, o enfrentamento à malária precisa partir de uma lógica regionalizada

A Secretaria Municipal de Saúde de Cruzeiro do Sul deu início a um treinamento voltado a educadores da rede pública, com o objetivo de transformá-los em agentes multiplicadores de informação no combate à malária. A iniciativa integra o plano estadual de eliminação da doença e se inspira em estratégias bem-sucedidas em países vizinhos, como o Suriname, que zerou os casos da doença, embora em contextos distintos da complexa realidade amazônica brasileira.

Dados da série histórica indicam que Cruzeiro do Sul e região registram, anualmente, menos de 4 mil casos da doença/ Foto: Reprodução

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Marcelo Siqueira, o enfrentamento à malária precisa partir de uma lógica regionalizada. “Estamos nesse trabalho para finalmente enfrentar a malária a partir da lógica amazônica, e não com alguém lá em Brasília dizendo como devemos agir aqui. Esse processo começa com a formação de professores, que terão conhecimento sobre a doença, seu tratamento, complicações e a questão da resistência medicamentosa. Esses educadores vão levar a informação para seus alunos, que por sua vez poderão disseminar o conhecimento em suas casas e comunidades”, afirmou.

. Ao abordar a malária em sala de aula, o professor transforma seus alunos em vetores de conhecimento dentro de suas comunidades/ Foto: Reprodução

O treinamento contou com a presença do professor doutor Rodrigo Medeiros, da Universidade Federal do Acre (UFAC) e integrante do núcleo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), uma das maiores referências da região Norte no tema.

A principal aposta da estratégia é o efeito multiplicador. Ao abordar a malária em sala de aula, o professor transforma seus alunos em vetores de conhecimento dentro de suas comunidades, aumentando a eficácia das campanhas de prevenção, testagens e tratamento adequado. A expectativa é que, com maior conscientização, haja também maior adesão às medidas de controle e vigilância.

Dados da série histórica indicam que Cruzeiro do Sul e região registram, anualmente, menos de 4 mil casos da doença. Em 2022, os números caíram para 2.600, mas voltaram a subir em 2024, atingindo 3.700 casos, um sinal de alerta para as autoridades. Neste ano, já foi registrada uma redução de 12% nos casos, resultado atribuído às ações intensificadas de prevenção e diagnóstico precoce.

Para Marcelo Siqueira, o objetivo é manter a tendência de queda de forma progressiva e sustentável. “Não queremos quedas momentâneas. Queremos um trabalho consistente para reduzir os casos ano após ano, até atingir um patamar realmente baixo e seguro para nossa população”, destacou

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