Nos últimos anos, os fundos imobiliários (FIIs) se tornaram uma das opções de investimento mais populares entre os brasileiros. Isso acontece porque eles oferecem uma combinação atraente de renda passiva, diversificação e isenção de imposto de renda sobre os dividendos para pessoas físicas. Além disso, muitos FIIs distribuem rendimentos mensalmente, o que agrada investidores que buscam uma fonte recorrente de ganhos.
Com um mercado cada vez mais consolidado e diversas opções de fundos disponíveis, saber como analisar um FII é fundamental para evitar armadilhas e fazer boas escolhas. Neste guia, abordaremos os principais aspectos para avaliar tanto fundos de papel quanto fundos de tijolo.

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Análise de fundos de papel (FIIs de recebíveis)
Os FIIs de papel investem em títulos de renda fixa lastreados no setor imobiliário, principalmente Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). A análise desses fundos deve considerar:
- P/VP (preço sobre valor patrimonial)
O principal indicador para avaliar fundos de papel é o Preço sobre Valor Patrimonial (P/VP). Ele mostra se o fundo está sendo negociado acima ou abaixo do seu valor contábil. Um P/VP abaixo de 1 indica que o fundo está sendo negociado com desconto, enquanto um P/VP acima de 1 sugere que os investidores estão pagando um ágio sobre os ativos.
- Qualidade dos CRIs da carteira
Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) representam os principais ativos dos FIIs de papel. Para avaliar a qualidade da carteira de CRIs, leve em consideração:
Indexador (IPCA, CDI, IGP-M)
Risco de inadimplência dos devedores
Nível de subordinação dos títulos
Taxa de retorno contratada (yield sobre o custo do CRI)
- Gestora e histórico de distribuições
A gestora tem papel fundamental na seleção dos ativos do fundo e na gestão dos riscos. Verifique o histórico de performance da gestora e sua experiência no mercado. Além disso, analise se o fundo tem sido consistente na distribuição de rendimentos aos cotistas.
Análise de fundos de tijolo
Os FIIs de tijolo investem diretamente em imóveis comerciais, como shoppings, lajes corporativas, galpões logísticos e hospitais. A avaliação desses fundos deve ser mais abrangente, pois envolve aspectos físicos e estratégicos dos imóveis.
- P/VP é um ponto de partida, mas não é tudo
Diferente dos fundos imobiliários de papel, onde o P/VP é o principal indicador, nos fundos de tijolo esse métrico deve ser apenas um ponto de partida. Um P/VP abaixo de 1 pode indicar um fundo barato, mas é importante verificar a qualidade dos imóveis e sua localização para confirmar se o desconto é justificado.
- Qualidade dos imóveis e vacância
A rentabilidade do fundo depende diretamente da ocupação e do potencial de valorização dos imóveis. Para isso, considere:
Localização dos ativos
Tipo de imóvel (shoppings, lajes, galpões, hospitais, etc.)
Taxa de ocupação histórica
Qualidade dos inquilinos (solidez financeira e prazo dos contratos)
- Gestão e histórico do fundo
A gestora também é crucial nos FIIs de tijolo. Uma boa gestora faz renegociações eficazes, reduz vacância e busca valorização dos ativos. Analisar o histórico de rentabilidade e distribuição de dividendos também ajuda a entender a consistência do fundo.
Modelo de Gordon adaptado para FIIs
Uma forma avançada de precificar fundos imobiliários é utilizar o modelo de Gordon, originalmente desenvolvido para precificação de ações. Esse modelo estima o valor justo de um ativo com base nos dividendos esperados e sua taxa de crescimento. Para FIIs, a fórmula adaptada é:
Onde:
V = Valor justo da cota
D = Dividendo esperado por cota
r = Taxa de desconto (pode ser a taxa livre de risco + prêmio de risco)
g = Taxa de crescimento esperada dos dividendos
Se o preço de mercado do fundo estiver abaixo do valor calculado, ele pode estar subvalorizado; se estiver acima, pode estar caro.
Conclusão
Analisar um fundo imobiliário exige uma abordagem detalhada e diferenciada dependendo do tipo de FII. Nos fundos de papel, o P/VP é um indicador essencial, mas é crucial avaliar a carteira de CRIs e a qualidade da gestora. Já nos fundos de tijolo, a análise deve considerar os imóveis, a ocupação e a gestão. Além disso, métodos como o modelo de Gordon podem ajudar a estimar o valor justo das cotas.
Com uma análise bem fundamentada, os investidores podem tomar decisões mais seguras e identificar boas oportunidades no mercado de FIIs.
