De lavador de carros a empresário: jovem acreano transforma vida para criar a filha sozinho

Natan recebeu a notícia que seria pai aos 16 anos e teve que amadurecer precocemente para se tornar o pai que não teve

Agir na contramão dos estigmas impostos por maus exemplos que cercam o cotidiano é a prova de que a ética universal pode, sim, ser instaurada na sociedade. Num mundo repleto de pais ausentes e mães solo, algumas histórias merecem ser lembradas como verdadeiros atos de coragem.

Quando o empresário Natan Soares recebeu a notícia de que seria pai aos 16 anos, idade em que ainda estudava, não tinha qualquer estabilidade financeira e nem a presença do próprio pai, decidiu que não repetiria o ciclo. “Acordei no dia seguinte à notícia com uma certeza: eu seria o pai que nunca tive”, relembra.

Natan Soares recebeu a notícia de que seria pai aos 16 anos, idade em que ainda estudava, não tinha qualquer estabilidade financeira/Foto: Cedida

 A partir daí, começou uma jornada que misturou amadurecimento precoce, trabalho duro e uma criança chamada Alice Victoria, hoje com 8 anos. Sem emprego, Natan passou a lavar carros e motos em um posto de combustíveis e, à noite, trabalhava em eventos de sonorização e iluminação. A rotina era exaustiva: estudos pela manhã, lavagem de veículos à tarde e eventos de quinta a domingo. Todo o esforço tinha um único objetivo: garantir que nada faltasse para Alice, nem amor, nem sustento.

Nos primeiros meses, mãe e pai tentaram dividir o tempo com a bebê, mas o arranjo não funcionou. Com cerca de três meses de vida, Alice foi morar definitivamente com Natan, que assumiu sozinho a responsabilidade de criá-la. A relação com a mãe é cordial, mas distante. “Ela não é tão próxima da Alice. Desde pequena, sou eu quem cuida, com apoio da minha família”, explica.

Natan e Alice / Foto: Cedida

A rede de apoio foi fundamental. A mãe de Natan e a madrinha de Alice foram peças-chave, cuidando da menina nos períodos em que ele trabalhava. “Minha mãe sempre esteve ali, e a madrinha ajudou demais. Eu podia me ausentar para trabalhar com a certeza de que Alice estava bem cuidada.”

O que o fez ser exceção em um cenário onde muitos pais abandonam a responsabilidade foi justamente a experiência de ter crescido sem um pai, tendo como única referência paterna o avô, falecido quando ele tinha 10 anos. “Nunca ouvi um ‘te amo’ do meu pai, nunca recebi um abraço. Não quero que minha filha sinta essa falta. Quero estar presente em cada momento: na escola, nas apresentações, nos dias em que ela escrever uma cartinha de Dia dos Pais.”

Alice não é apenas a prioridade dele, mas a razão de todo esforço/Foto: Cedida

Hoje, aos 24 anos, Natan construiu uma trajetória que passa pelo trabalho no banco, pela produção rural e pelo empreendedorismo. O que começou com bicos lavando carros e noites em eventos transformou-se em uma carreira sólida, fruto de disciplina e determinação.

Cada conquista carrega a marca da paternidade. Alice não é apenas a prioridade dele, mas a razão de todo esforço. É para ela que Natan acorda cedo, enfrenta desafios e busca sempre ser melhor. Mais do que prover, ele quer ser presença, o abraço constante, o olhar na plateia, o amigo que estará ali em todos os capítulos da vida da filha.

PUBLICIDADE