O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou neste domingo (24) a abertura de novo inquĂ©rito da PF (PolĂcia Federal) para investigar o destino de R$ 694 milhões em recursos de emendas parlamentares individuais de transferĂŞncia especial, conhecidas como “emendas Pix”.

Ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal) • Antonio Augusto/STF
O montante representa a soma de emendas direcionadas entre 2020 e 2024 e que nĂŁo tiveram os planos de trabalho cadastrados. Para Dino, a ausĂŞncia de detalhamento do uso dos recursos configura descumprimento de decisĂŁo judicial anterior.
O ministro fixou prazo de dez dias úteis para que o TCU (Tribunal de Contas da União) identifique as emendas individuais relacionadas aos 964 planos de trabalho não cadastrados e envie as informações para cada Superintendência da PF, para a instalação de inquérito policial.
Ele estabeleceu que o valor total de R$ 694.695.726,00 das emendas deverá ser individualizado por estado.
No inĂcio de julho, Dino havia pedido uma nova avaliação do TCU sobre a determinação do cadastro obrigatĂłrio dos planos de trabalho. Antes, em março, havia 6.760 planos de trabalho nĂŁo cadastrados. Segundo o ĂłrgĂŁo, atĂ© 30 de julho, ainda restavam os 964 planos nĂŁo cadastrados.
Emendas Ă saĂşde
Dino descartou a existĂŞncia de um “novo Orçamento Secreto no MinistĂ©rio da SaĂşde”. Ele afirmou que “nĂŁo está, atĂ© o momento, suficientemente demonstrado” um novo desvio de finalidade das emendas de relator.
Ele pediu, em junho, explicações ao Congresso sobre a suposta existência de “emendas paralelas” e de um “orçamento secreto na Saúde”. Antes, em abril, Dino havia determinado o bloqueio de 1,2 mil emendas para a saúde por falta de rastreabilidade no destino dos recursos.
Na decisĂŁo deste domingo, Dino determinou envio de ofĂcio ao ministro da SaĂşde, Alexandre Padilha, para que “seja rigorosamente observado o limite constitucional”. Ele reforçou que as emendas de relator sĂł podem ser utilizadas para a correção de erros e omissões e “o que nĂŁo se enquadrar nesse conceito objetivo nĂŁo pode ser executado”.
Associação Moriá
Flávio Dino também determinou que a CGU (Controladoria-Geral da União) realize, em até dez dias úteis, uma auditoria na “integralidade” dos repasses de emendas à Associação Moriá, nos anos de 2022 a 2024. Ele determinou a prioridade de análise de convênios firmados com o Ministério da Saúde.
A entidade do Distrito Federal foi alvo de operação da PF e da CGU em julho por supostas irregularidades na execução de cerca de R$ 15 milhões em recursos de emendas parlamentares envolvendo o Ministério do Esporte.
A decisão de Dino destacou que a entidade já foi alvo de uma autoria que identificou haver instrumentos firmados com os ministérios do Esporte, da Saúde, da Cultura e das Mulheres. A sugestão de nova auditoria, incluindo outros instrumentos ainda não analisados, foi feita pela própria CGU, que estima a entrega do relatório final até 31 de dezembro.
Plano de trabalho
Na decisĂŁo, Dino afirmou ainda que o plano de trabalho para a rastreabilidade das emendas, elaborado pelos Poderes Executivo e Legislativo, “encontra-se em adequada execução, neste momento”. O plano foi homologado pelo ministro em 26 de fevereiro apĂłs meses de negociações sobre regras de transparĂŞncia dos recursos.
Para a continuidade do plano, Dino determinou que até 30 de novembro de 2025 os Poderes prestem informações atualizadas sobre o cumprimento de cada um de seus eixos previstos.
