Felipe Storch, um jovem economista de Rio Branco, no Acre, está levando a visão da Amazônia para Yale, uma das mais prestigiadas universidades do mundo. Aos 31 anos, ele foi para os Estados Unidos com uma missão clara: pesquisar formas de transformar a conservação da floresta em um negócio lucrativo e sustentável. Hoje, com um currículo que inclui experiências em organismos internacionais e um mestrado em andamento, Felipe busca soluções para transformar a floresta, na qual carrega memórias de infância de céus cinzentos por causa das queimadas.
Do Acre para Yale: Felipe Storch leva a bioeconomia amazônica ao debate global/Foto: Cedida
A jornada de Felipe começou em 2010, quando foi selecionado para o programa Jovens Embaixadores da Embaixada dos EUA. A experiência o levou a conhecer a então primeira-dama, Michelle Obama, cuja fala inspiradora o marcou profundamente. “Ela trouxe uma fala que levo até hoje: ‘Nunca duvidem dos seus sonhos. Com trabalho árduo e muita dedicação, vocês podem realizá-los’”, conta.
O incentivo de Michelle, somado às referências acreanas como Chico Mendes e Marina Silva, o impulsionou a seguir seu sonho de conectar a economia com a política ambiental. O intercâmbio abriu portas para uma nova vida acadêmica nos EUA, onde ele cursou o ensino médio na Phillips Academy, em Massachusetts, e depois se graduou com bolsa integral em Economia e Estudos Ambientais na Franklin & Marshall College, na Pensilvânia.
Mesmo estudando fora, Felipe manteve os olhos voltados para sua terra natal. Sua tese de graduação foi desenvolvida a partir de uma imersão com extrativistas em Xapuri, berço de Chico Mendes. Acompanhado de Nilson Mendes, primo do líder seringueiro, ele pesquisou o potencial da sociobiodiversidade da região e constatou que o grande gargalo não estava na produção, mas no acesso a uma rede de investimento. “O que às vezes falta não é o produto, mas uma rede de parceiros, de investimento, para que aqueles produtos consigam alcançar mercados interessantes”, explica.
Jovem do Acre conquista espaço em uma das universidades mais prestigiadas do mundo/Foto: Cedida
Após atuar no Ministério do Meio Ambiente e na ONU, Felipe foi para a renomada Universidade de Yale com uma bolsa para estudar mecanismos de compensação pela conservação. Lá, ele endossou sua visão de que a floresta precisa ser vista como um ativo valioso.
Felipe defende a união entre agricultura e conservação. Ele destaca a importância dos rios voadores da Amazônia para a agricultura brasileira e o valor do patrimônio genético das florestas para indústrias farmacêuticas e agrícolas. “A gente não precisa colocar floresta e agricultura em conflito. Na verdade, elas fazem parte de um todo e é muito estratégico as duas andarem juntas”, afirma.
Membro do Comitê Jovem do Painel Científico para a Amazônia, o economista acreano sonha em ver o Brasil liderar uma economia que valoriza seus biomas. “Quero contribuir para que o Brasil ocupe um espaço único: o de liderar uma economia moderna e estratégica, capaz de usar seus biomas de forma rentável e sustentável”, conclui.
