Escolhido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), como relator da CPMI do INSS, o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) jÔ se prepara para iniciar os trabalhos da comissão na próxima semana.
Em entrevista à coluna nesta sexta-feira (15/8), Ayres revelou que se reunirÔ com o presidente do CPMI, senador Omar Aziz (PSD-AM), na segunda-feira (18/8) para discutir o andamento dos trabalhos da comissão.
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O deputado Ricardo Ayres
Bruno Spada/CĆ¢mara dos Deputados
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O deputado Ricardo Ayres
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O deputado defendeu que o foco de seu trabalho como relator serĆ” nas provas jĆ” colhidas pela PolĆcia Federal sobre o esquerma de descontos ilegais do INSS, revelado em uma sĆ©rie de reportagens do Metrópoles.
Ayres ressaltou que também pretende aprofundar a investigação por meio de depoimentos, mas evitou revelar quem deverão ser as primeiras pessoas a serem convocadas a depor no colegiado.
Na entrevista, o relator prometeu trabalhar acima das disputas ideológicas entre governistas e bolsonaristas, que tentam atribuir um ao outro a responsabilidade pelo escândalo de desvios nas aposentadorias.
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āPrecisamos lidar com muita cautela diante dessa disputa polĆtica e ideológica entre governo e oposição. Segundo informaƧƵes da PolĆcia Federal e do MinistĆ©rio PĆŗblico, os descontos indevidos ocorrem desde 2019, atravessando dois governos diferentes. Por isso, Ć© fundamental que todos no colegiado tratem o tema como uma pauta de interesse nacional, acima de rixas e disputas partidĆ”riasā, disse Ayres Ć coluna.
Confira a entrevista na Ćntegra:
Como foi a conversa com Hugo Motta para a indicação como relator? O presidente da Câmara fez algum pedido?
Foi uma conversa tranquila. O presidente Hugo Motta me fez a designação para a relatoria, e eu aceitei com o compromisso de atuar com tĆ©cnica, imparcialidade e transparĆŖncia. Meu objetivo Ć© entregar Ć sociedade uma resposta consistente sobre um tema que impactou profundamente aposentados e pensionistas de todo o Brasil nos Ćŗltimos anos, causando prejuĆzos relevantes.
HaverÔ uma disputa de narrativas na CPMI entre governo e oposição. Como trabalhar em meio a essa polarização?
Precisamos lidar com muita cautela diante dessa disputa polĆtica e ideológica entre governo e oposição. Segundo informaƧƵes da PolĆcia Federal e do MinistĆ©rio PĆŗblico, os descontos indevidos ocorrem desde 2019, atravessando dois governos diferentes. Por isso, Ć© fundamental que todos no colegiado tratem o tema como uma pauta de interesse nacional, acima de rixas e disputas partidĆ”rias.
O foco deve estar nas provas jĆ” obtidas pela PolĆcia Federal, que sĆ£o de conhecimento pĆŗblico, e no aprofundamento dessas evidĆŖncias por meio de oitivas e depoimentos. O objetivo Ć© entregar, dentro do prazo, um relatório robusto, responsĆ”vel e justo, que atenda aos anseios da sociedade e nĆ£o resulte em um āzero a zeroā após meses de trabalho.
Quem o senhor pretende convocar para depor primeiro? O atual ministro da PrevidĆŖncia, Wolney Queiroz, e o ex-ministro Carlos Lupi?
Como a designação Ć© muito recente, ainda nĆ£o defini a programação e o mĆ©todo das oitivas. Combinei de me reunir na segunda-feira com o presidente da CPMI, senador Omar Aziz, para tratar da instalação e do plano de trabalho. Contudo, caberĆ” ao colegiado decidir sobre quem deva ser ouvido. Pessoalmente, acredito que seguir uma ordem cronológica possa ajudar a compreender melhor o esquema, comeƧando por aqueles ligados ao INSS e citados nos relatórios da PolĆcia Federal desde 2019 atĆ© o momento atual. No entanto, Ć© inevitĆ”vel convocar todos os nomes mencionados nos inquĆ©ritos, inclusive os que vocĆŖ citou, pois todos precisam ser ouvidos de forma impreterĆvel.

