Ícone do site ContilNet Notícias

Fintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP

Por

Fintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP

Promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP) responsáveis pela Operação Carbono Oculto, deflagrada nessa quinta-feira (28/8) contra um esquema bilionário no setor dos combustíveis, afirmam que o Brasil se tornou um paraíso fiscal a partir da proliferação de fintechs que oferecem o serviço de “conta bolsão”.

O instrumento, que concentra em uma única conta o dinheiro de vários clientes, tem dificultado a aplicação de bloqueios judiciais. Como detalhado pelo Metrópoles em agosto do ano passado, a blindagem contra decisões da Justiça é, inclusive, oferecida como um diferencial em relação ao sistema bancário tradicional.

Fintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP11 imagensOperação Carbono OcultoMegaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCCMegaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCCCerca de 1 mil postos movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024A megaoperação descobriu que pelo menos 40 fundos de investimentos foram utilizados como estruturas para ocultação de patrimônioFechar modal.Fintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSPFintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP1 de 11

Operação Carbono Oculto

Divulgação/Receita FederalFintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP2 de 11

Operação Carbono Oculto

Divulgação/Receita FederalFintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP3 de 11

Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC

Divulgação/Receita FederalFintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP4 de 11

Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC

Divulgação/Receita FederalFintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP5 de 11

Cerca de 1 mil postos movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024

Reprodução/ GloboplayFintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP6 de 11

A megaoperação descobriu que pelo menos 40 fundos de investimentos foram utilizados como estruturas para ocultação de patrimônio

Reprodução/ GloboplayFintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP7 de 11

São cumpridos cerca de 350 mandados de busca e apreensão a pessoas físicas e jurídicas em oito estados pelo país

Reprodução/ GloboplayFintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP8 de 11

Operações financeiras por meio de fintechs dificultavam o rastreamento dos valores que eram transacionados

Reprodução/ GloboplayFintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP9 de 11

Foram sonegados mais de R$ 7,6 bilhões em impostos, segundo a megaoperação

Divulgação/Polícia FederalFintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP10 de 11

Proprietários dos postos de combustíveis venderam seus estabelecimentos ao grupo criminoso e eram ameaçados de morte caso fizessem alguma cobrança

Divulgação/Polícia FederalFintechs tornaram Brasil “paraíso fiscal” para criminosos, diz MPSP11 de 11

Há indícios de que lojas de conveniência e padarias também parcipavam do esquema

Divulgação/Polícia Federal

De acordo com as investigações do grupo especializado em combate ao crime organizado organizado (Gaeco), o esquema no setor de combustível utilizava ao menos 40 fundos de investimento e diversas fintechs para lavar dinheiro, mascarar transações e ocultar patrimônio.

“Quando você cria um vácuo no Estado, você permite a criação de um paraíso fiscal dentro do Estado brasileiro, esse mecanismo passa todo tipo de dinheiro, de todas as vertentes criminosas”, disse o promotor João Paulo Gabriel.

A percepção do representante da Promotoria foi corroborada pelo secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas. Na entrevista coletiva realizada nessa quinta-feira (28/8), ele afirmou que o crime organizado está passando por um processo de bancarização.

Leia também

“No momento em que as Fintec não têm obrigações de transparência em relação, por exemplo, à Receita Federal, o que tem acontecido? Nós não temos informação de quem é aquele titular do dinheiro. A Fintec  não tem agência, não é bancária. Como é que o dinheiro entra ali?”, questiona o secretário.

“A partir daí ela pega esse esses valores e repassa para gestores e de bens que investem em algum fundo. que é cotista único de outro fundo, que é cotista único de outro fundo, que injeta esse recurso novamente no mercado, por exemplo, de empréstimos, via aquisição de debêntures”, acrescentou.

“Banco paralelo” movimentou R$ 46 bi

O esquema de adulteração envolvendo o desvio de metanol operava por meio da atuação da BK Bank, fintech apontada pelo MPSP por funcionar como um “banco paralelo”. A instituição financeira centralizava as movimentações de empresas de fachada responsáveis por fornecer documentos fiscais para obtenção do produto químico.

A BK Bank também recebia diretamente valores em espécie, um procedimento apontado como estranho à natureza da instituição de pagamento. Entre 2022 e 2023, foram efetuados mais de 10,9 mil depósitos em espécie, totalizando mais de R$ 61 milhões.

Além da fintech, a Receita Federal aponta para o envolvimento de pelo menos 40 fundos de investimentos utilizados como estruturas de ocultação de patrimônio. Segundo a receita, as mesmas pessoas envolvidas com as empresas operadoras do esquema controlavam diversas instituições de pagamento menores, usadas para criar uma dupla camada de ocultação.

Entenda o esquema bilionário

 

Sair da versão mobile