A médica Halyna Melo, uma das poucas cirurgiãs cardiovasculares em atuação no Acre, compartilhou em entrevista detalhes sobre sua formação, desafios da carreira e os sonhos que ainda deseja realizar. Sua trajetória é marcada por determinação, apoio familiar e pela escolha de seguir uma especialidade de alta complexidade, pouco representada no estado.
Halyna decidiu cursar medicina ainda no ensino médio, motivada pela afinidade com as ciências exatas e biológicas. A princípio, pensava em engenharia, mas o fascínio pelo corpo humano a levou para a medicina. Durante a graduação, na Universidade Federal do Acre (Ufac), o contato precoce com pacientes fez com que se apaixonasse pelo cuidado humano.
Aprovada no vestibular aos 16 anos, ela integrou a quarta turma de medicina da Ufac. A pouca maturidade e as dificuldades de um curso ainda em consolidação, marcado por greves e disciplinas incompletas, foram obstáculos enfrentados no início. Ainda assim, com dedicação dos professores e busca por conhecimento extracurricular, conseguiu concluir a graduação com qualidade.

Halyna passou no vestibular com 16 anos e integrou a 4ª turma de Medicina da UFAC/Foto: Cedida
Primeira médica da família, Halyna contou com o incentivo dos pais, que sempre priorizaram sua educação. Sem parentes na profissão, encontrou apoio em professores e cirurgiões que a inspiraram ao longo da formação. “Mesmo sendo mulher e do Acre, me mostraram que eu poderia chegar onde quisesse”, relembra.
O interesse pela cirurgia surgiu no internato, após o rodízio em cirurgia geral. O contato com a cirurgia cardíaca aconteceu durante a residência em Rio Branco, no mesmo serviço onde hoje atua, motivada também pela história pessoal de seu irmão, operado ainda bebê devido a uma cardiopatia congênita.
Halyna seguiu para Recife junto com o marido, onde concluiu a residência no Instituto do Coração de Pernambuco. Em 2018, retornou ao Acre para integrar o Instituto do Coração Norte e Nordeste (ICONE), que funciona no Hospital Santa Juliana. Hoje, divide sua rotina entre cirurgias, atendimentos ambulatoriais e sobreaviso para casos de urgência.

Halyna destaca a vontade de ampliar os serviços para cirurgias cardíacas pediátricas/Foto: Cedida
Casada e mãe de dois filhos pequenos, ela admite que conciliar a vida pessoal com a rotina intensa da cirurgia é um desafio. “Não sou a primeira nem a última mulher que precisa equilibrar carreira, filhos e família. O segredo é se dedicar intensamente a cada momento, seja no trabalho ou em casa, e contar com uma rede de apoio”, afirma.
Entre os sonhos profissionais, Halyna destaca a vontade de ampliar os serviços para cirurgias cardíacas pediátricas, oferecendo mais alternativas de tratamento dentro do estado.
Para os jovens que desejam seguir medicina, a médica aconselha perseverança e dedicação. “É uma área complexa e desafiadora, mas também fascinante e gratificante. Se esse é o seu sonho, vá até o fim. Vale a pena.” Mesmo diante dos momentos de dúvida e cansaço, ela acredita que a própria medicina tem o poder de curar quem a pratica. “O olhar de gratidão dos pacientes nos mostra que vale a pena continuar”, conclui.
