O Independência Futebol Clube viveu, em 2025, um dos momentos mais marcantes de sua história recente. Depois de duas décadas sem disputar uma competição nacional, o Tricolor de Aço não só participou da Série D do Campeonato Brasileiro, como também conseguiu avançar para a segunda fase — feito raro para um clube acreano.
Na primeira fase, a equipe terminou na 4ª colocação do grupo, somando 21 pontos, com 6 vitórias, 3 empates e 5 derrotas, atingindo 50% de aproveitamento. Nas oitavas, enfrentou o Altos, do Piauí, mas acabou eliminado com duas derrotas, se despedindo da competição de cabeça erguida.

Independência encerra campanha histórica na Série D 2025 e projeta futuro para a próxima temporada/Foto: Cedida
Para falar sobre essa campanha, os bastidores e os planos para 2026, conversamos com João Paulo Junqueira, CEO do Independência. Segundo Junqueira, as primeiras tratativas começaram ainda em 2024, com o presidente Macapá e o parceiro Gil de Paula. “Tínhamos um sonho de resgatar o futebol acreano”, relembrou.
A montagem do elenco não foi fácil. O clube foi entregue tardiamente à nova gestão, o que exigiu um trabalho intenso para buscar atletas dentro de um orçamento possível. Foram noites em claro, segundo Junqueira, ao lado de Ivan Mazzuia, assistindo jogos completos e garimpando os melhores nomes disponíveis. A ideia era mesclar jogadores de fora com talentos locais.

“Tínhamos um sonho de resgatar o futebol acreano” disse Junqueira/Foto: Reprodução
Bicampeão acreano, o Independência já sabia do desafio que enfrentaria no cenário nacional. Para o CEO, o grupo da primeira fase talvez tenha sido o mais forte da região norte em todos os tempos, reunindo equipes como Tunaluso, Manauara e Manaus — todas com apoio do governo e estrutura —, além de Trem, Águia e GAS.
Apesar das dificuldades, o dirigente considera que o time saiu de cabeça erguida, ciente de ter feito o melhor dentro das condições existentes. Ele lembra que o apoio veio de poucas pessoas e que, infelizmente, houve até membros do próprio clube torcendo contra, o que acabou atrapalhando.

Após 20 anos longe de competições nacionais, Tricolor de Aço alcançou classificação inédita para a segunda fase da Série D/Foto: Cedida
Com a vaga já assegurada para a Série D de 2026, o planejamento poderá começar mais cedo, permitindo mais tempo para analisar jogadores e reforçar a equipe. Junqueira também reconhece a necessidade de investir na estrutura e nas categorias de base. Como exemplo, cita o desempenho do Sub-20, que não venceu nenhum jogo no estadual e sofreu 58 gols em 10 partidas, impossibilitando o aproveitamento de atletas para o elenco principal.
O CEO aponta que comandar um clube acreano envolve dificuldades tanto estruturais quanto financeiras. Enquanto a maioria dos adversários conta com algum incentivo do poder público, seja do governo ou da prefeitura, o Independência ainda não recebe esse tipo de apoio.

O CEO aponta que comandar um clube acreano envolve dificuldades tanto estruturais quanto financeiras/Foto: Reprodução
Para ele, resgatar o interesse do torcedor exige medidas concretas: baixar o preço dos ingressos, melhorar a infraestrutura, ampliar a divulgação do campeonato, ajustar horários para não coincidir com a TV, promover sorteios e eventos, além de levar jogos para estádios do interior. Junqueira também reconhece que a atual gestão da Federação tem promovido melhorias nesse sentido.
Ao final, o dirigente fez questão de agradecer ao parceiro Dado Ramos, que permaneceu no projeto, e deixou uma mensagem ao povo acreano: que vá aos estádios, vibre, apoie e mostre a força do Acre, pois, segundo ele, juntos todos podem fazer a diferença dentro e fora de campo.
