No Dia do Orgulho Lésbico, ativistas reforçam poder da luta coletiva

Por AgĂȘncia Brasil 19/08/2025


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No dia 19 de agosto, Ă© celebrado o Dia do Orgulho LĂ©sbico. AlĂ©m de ser um dia para reafirmar quem se Ă©, a data marca tambĂ©m a luta por direitos e para o fim de qualquer preconceito e Ăłdio contra mulheres lĂ©sbicas. Ativistas ouvidas pela AgĂȘncia Brasil exaltam aquelas que vieram antes e destacam que a data Ă© momento de reafirmar a importĂąncia de se organizar coletivamente.ebcebc

“Se o caminho estĂĄ um pouquinho mais pavimentado Ă© porque teve muita gente antes. E a gente continua fazendo esse caminho”, diz a idealizadora da livraria Pulsa, a primeira livraria dedicada exclusivamente Ă  temĂĄtica e a autorias LGBTQIAPN+, Caroline Fernandes.  

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O Dia do Orgulho LĂ©sbico relembra o Levante do Ferro’s Bar, em 19 de agosto de 1983, conhecido como o “Stonewall brasileiro”, em referĂȘncia Ă  Revolta de Stonewall. Em 28 de junho de 1969, LGBTQIA+ de Nova York que frequentavam o bar Stonewall Inn iniciaram uma sĂ©rie de protestos para denunciar a perseguição policial.

No levante em SĂŁo Paulo, as lĂ©sbicas organizadas no Grupo de Ação LĂ©sbica Feminista distribuĂ­am o jornal Chanacomchana no bar, atĂ© que foram impedidas de entregarem a publicação. Lideradas por Rosely Roth, as lĂ©sbicas, com o apoio de organizaçÔes de direitos humanos e do movimento negro e feminista, invadiram o Ferro’s Bar para denunciar a censura, a perseguição e a violĂȘncia policial contra lĂ©sbicas.

Segundo Fernandes, o levante, que foi uma ação coletiva, mostra a força da atuação conjunta. “Todas essas datas importantes do movimento lĂ©sbico estĂŁo muito ligadas Ă  rede. A essas mulheres estarem em comunidade. Acho que isso Ă© importante ainda hoje tambĂ©m para direcionar a gente para esse lugar da rede, do estar juntas, para fazer uma revolução, desde a menor que seja atĂ© algo tĂŁo grande quanto foi a revolta do Ferro’s Bar”, diz.

 


Rio de Janeiro (RJ), 19/08/2024 – Dia do Orgulho LĂ©sbico no centro da cidade em luta por direitos e contra o preconceito. Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Dia do Orgulho LĂ©sbico no centro da cidade em luta por direitos e contra o preconceito. Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Caminhada do Orgulho

No Rio de Janeiro, a data Ă© marcada pela quinta Caminhada do Orgulho LĂ©sbico, que ocorreu nesta terça, no centro da cidade. “A caminhada lĂ©sbica Ă© um importante momento de reivindicação e luta pelos direitos das lĂ©sbicas”, diz a jornalista Camila Marins, que Ă© editora da Revista Brejeiras, publicação feita por e para lĂ©sbicas.

Marins Ă© tambĂ©m a idealizadora do Projeto de Lei Luana Barbosa, que busca promover campanhas, atividades e açÔes pĂșblicas de enfrentamento e erradicação do lesbocĂ­dio [assassinato de mulheres lĂ©sbicas por Ăłdio e preconceito], bem como de construção de uma cultura de nĂŁo violĂȘncia contra as mulheres lĂ©sbicas. O texto, que estabelece 13 de abril como Dia Municipal de Enfrentamento ao LesbocĂ­dio, virou lei em municĂ­pios como NiterĂłi e tramita na CĂąmara dos Deputados.

A lei traz o nome de Luana Barbosa, mulher negra, lĂ©sbica e perifĂ©rica que foi brutalmente espancada e morta, vĂ­tima da violĂȘncia policial. O crime ocorreu em 2016, em RibeirĂŁo Preto, no interior do estado de SĂŁo Paulo. 

Para Marins a luta pelos direitos das mulheres lĂ©sbicas, avançou, apensar de ainda enfrentar muitos desafios. “Ouso dizer que avançamos em apresentar e aprovar essa legislação em diversos municĂ­pios e estados do Brasil. Mas ainda temos muito a avançar. AlĂ©m da aprovação de projetos de lei, precisamos do comprometimento polĂ­tico do Executivo em aportar orçamento pĂșblico para a execução das polĂ­ticas pĂșblicas especĂ­ficas para lĂ©sbicas”, diz Marins.

 


Rio de Janeiro (RJ), 19/08/2024 – Dia do Orgulho LĂ©sbico reĂșne mulheres no centro da cidade em luta por direitos e contra o preconceito. Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Dia do Orgulho LĂ©sbico reĂșne mulheres no centro da cidade em luta por direitos e contra o preconceito. Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Visibilidade e luta por direitos

Agosto, como um todo, Ă© considerado o mĂȘs o da MĂȘs da Visibilidade LĂ©sbica. AlĂ©m do Dia do Orgulho, o dia 29 de agosto Ă© o dia da Visibilidade LĂ©sbica, data em que ocorreu, em 1996, o primeiro SeminĂĄrio Nacional de LĂ©sbicas (Senale), no Rio de Janeiro.

No Rio, entre os dias 19 e 29, o projeto 10 Dias de Ação SapatĂŁo, da vereadora Monica Benicio (Psol), promove uma sĂ©rie de atividades. Entre elas, a CĂąmara Municipal do Rio de Janeiro entrega a medalha Chiquinha Gonzaga ─ a mais alta condecoração concedida pela CĂąmara ─ a trĂȘs mulheres lĂ©sbicas: a cantora e compositora, CĂĄtia de França, e o casal Nicinha (in memoriam) e Jurema, que ficaram conhecidas na sĂ©rie da Netflix Meu amor: Seis histĂłrias de amor verdadeiro. Nicinha faleceu no ano passado, apĂłs um casamento de 40 anos com Jurema.

“Celebrar o orgulho lĂ©sbico Ă© lembrar que mulheres lĂ©sbicas construĂ­ram e fazem parte desse paĂ­s e da histĂłria dessa sociedade que constantemente apaga mulheres que amam outras mulheres. O orgulho Ă© uma ferramenta polĂ­tica de afirmação”, diz Benicio, que Ă© viĂșva da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.

No dia 29 de agosto, tambĂ©m serĂĄ a nona edição do Ocupa SapatĂŁo, intervenção polĂ­tica, artĂ­stica e cultural feita por e para mulheres lĂ©sbicas. “Este ano, o Ocupa serĂĄ em homenagem Ă  Marielle e tenho certeza que serĂĄ muito emocionante”, diz Benicio.

 


Rio de Janeiro (RJ), 19/08/2024 – Dia do Orgulho LĂ©sbico reĂșne mulheres no centro da cidade em luta por direitos e contra o preconceito. Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Dia do Orgulho LĂ©sbico reĂșne mulheres no centro da cidade em luta por direitos e contra o preconceito. Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Discriminação

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelo menos 0,9% das mulheres brasileiras declara-se lésbica e 0,8% bissexual. O IBGE reconhece que o percentual pode estar subestimado, principalmente porque o estigma e o preconceito por parte da sociedade podem fazer com que as pessoas não se sintam seguras em declarar a própria orientação sexual a um instituto de pesquisa.

Entre 2021 e 2022, a Associação LĂ©sbica Feminista de BrasĂ­lia ─ Coturno de VĂȘnus e a Liga Brasileira de LĂ©sbicas (LBL) realizaram o Lesbocenso Nacional, para conhecer o perfil das mulheres lĂ©sbicas brasileiras. Os dados mostram que a maior parte dessas mulheres, 78,61%, sofreu lesbofobia, ou seja, discriminação por serem lĂ©sbicas.   

De acordo com o DossiĂȘ sobre LesbocĂ­dio no Brasil, pelo menos 135 lĂ©sbicas foram mortas entre 1983 e 2013. Os registros sĂŁo feitos pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), organização nĂŁo governamental voltada para a defesa dos direitos dos homossexuais no Brasil. O dossiĂȘ aponta que, desde que começaram a ser registrados, na dĂ©cada de 1980, os casos tiveram aumentos.

De 2016 a 2017, o nĂșmero de casos registrados teve crescimento de 80%, saltando de 30 em 2016 para 54 em 2017. Em 2023, Ășltimo ano com dados disponĂ­veis, o GGB registrou nove mortes violentas de lĂ©sbicas.

 

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