As defesas dos rĂ©us do chamado nĂșcleo crucial da trama golpista denunciada pela Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) apresentaram nessa quarta-feira (13/8) as alegaçÔes finais em ação penal que corre na Primeira Turma da Corte. Com a finalização dessa etapa, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete aliados estĂĄ cada vez mais prĂłximo.
Confira os rĂ©us do nĂșcleo crucial
- Alexandre Ramagem: ex-diretor da Abin, ele Ă© acusado pela PGR de atuar na disseminação de notĂcias falsas sobre fraude nas eleiçÔes.
- Almir Garnier Santos: ex-comandante da Marinha, ele teria apoiado a tentativa de golpe em reunião com comandantes das Forças Armadas, na qual o então ministro da Defesa apresentou minuta de decreto golpista. Segundo a PGR, o almirante teria colocado tropas da Marinha à disposição.
- Anderson Torres: ex-ministro da Justiça, ele Ă© acusado de assessorar juridicamente Bolsonaro na execução do plano golpista. Um dos principais indĂcios Ă© a minuta do golpe encontrada na casa de Torres, em janeiro de 2023.
- Augusto Heleno: ex-ministro do GSI, o general participou de uma live que, segundo a denĂșncia, propagava notĂcias falsas sobre o sistema eleitoral. A PF tambĂ©m localizou uma agenda com anotaçÔes sobre o planejamento para descredibilizar as urnas eletrĂŽnicas.
- Jair Bolsonaro: ex-presidente da RepĂșblica, ele Ă© apontado como lĂder da trama golpista. A PGR sustenta que Bolsonaro comandou o plano para se manter no poder apĂłs ser derrotado nas eleiçÔes e, por isso, responde a qualificadora de liderar o grupo.
- Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso. Segundo a PGR, ele participou de reuniĂ”es sobre o golpe e trocou mensagens com conteĂșdo relacionado ao planejamento da ação.
- Paulo SĂ©rgio Nogueira: ex-ministro da Defesa, ele teria apresentado aos comandantes militares decreto de estado de defesa, redigido por Bolsonaro. O texto previa a criação de âComissĂŁo de Regularidade Eleitoralâ e buscava anular o resultado das eleiçÔes.
- Walter Souza Braga Netto: Ă© o Ășnico rĂ©u preso entre os oito acusados do nĂșcleo central. Ex-ministro e general da reserva, foi detido em dezembro do ano passado por suspeita de obstruir as investigaçÔes. Segundo a delação de Cid, Braga Netto teria entregado dinheiro em uma sacola de vinho para financiar acampamentos e açÔes que incluĂam atĂ© um plano para matar o ministro Alexandre de Moraes.
Nas alegaçÔes finais, a linha comum seguida pelas defesas dos oito rĂ©us foi frisar a falta de provas da acusação para ligar os clientes Ă participação no planejamento de um possĂvel golpe de Estado.
7 imagens



Fechar modal.
1 de 7
Bolsonaro é alvo de declaração de ex-presidente da OAB
Rafaela Felicciano/MetrĂłpoles
2 de 7
Almirante Almir Garnier, chefe da Marinha sob Bolsonaro
Reprodução
3 de 7
General Augusto Heleno
VINĂCIUS SCHMIDT/METRĂPOLES @vinicius.foto
4 de 7
Alexandre Ramagem era diretor da Abin na época do monitoramento ilegal
Reprodução
5 de 7
Anderson Torres
Hugo Barreto/MetrĂłpoles
6 de 7
Ex-ministro da Defesa do Brasil depÔe no STF
Reprodução TV Justiça
7 de 7
Tenente-coronel Mauro Cid
VINĂCIUS SCHMIDT/METRĂPOLES @vinicius.foto
AlĂ©m disso, outro ponto comum evidenciado pelas defesas foram as possĂveis irregularidades na deleção do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do entĂŁo presidente Jair Bolsonaro. A defesa do ex-mandatĂĄrio afirma, nas alegaçÔes, que Cid mentiu âreiteradas vezesâ durante os depoimentos.
Os advogados do general Braga Netto tambĂ©m alegaram a ausĂȘncia de provas diretas e a fragilidade do depoimento de Cid. Para a defesa, o tenente-coronel foi âobrigado a mentirâ.
Leia também
-
Bolsonaro alega falta de provas e pede absolvição ao STF
-
Torres é o primeiro a apresentar alegaçÔes finais ao STF e pedir absolvição
-
âLeis e likesâ: STF recebe influencers para evento. Veja quem foi
-
Sozinho, homem protesta em frente ao STF: âFora, Moraesâ. VĂdeo
O que vem agora?
A conclusĂŁo dessa Ășltima etapa possibilita ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, o pedido para que a ação penal seja incluĂda na pauta de julgamento. A expectativa, mesmo diante de crises externas e tentativa de influĂȘncia do governo dos Estados Unidos, Ă© que o processo esteja na pauta no mĂȘs de setembro.
Uma vez pautado, o processo vai para a anĂĄlise da Primeira Turma, composta por Moraes, CĂĄrmen LĂșcia, Cristiano Zanin, Luiz Fux e FlĂĄvio Dino. Eles podem decidir se os oito acusados pela PGR serĂŁo condenados ou absolvidos, e pode ocorrer, ainda, de algum ministro pedir vista, o que representaria mais tempo para anĂĄlise, com prazo de retorno para julgamento em 90 dias.
O prazo das defesas para as alegaçÔes finais começou a contar apĂłs as Ășltimas consideraçÔes no processo do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, em 30 de julho. Por isso, a entrega ocorreu nesta quarta, quando completou 15 dias apĂłs a resposta de Cid.
