Em 1980, Caetano Veloso quebrou tradições na música brasileira e eternizou a imagem de um jovem bronzeado, livre e apaixonado pelo mar na canção Menino do Rio. O personagem não era ficção: tratava-se de José Artur Machado, mais conhecido como Petit, surfista símbolo da juventude dourada e sem amarras de Ipanema.
Bronzeado, cabeludo, faixa-preta de jiu-jitsu e modelo nas horas vagas, Petit chamava atenção por onde passava. A inspiração para Caetano surgiu após uma noite de conversas intensas com o surfista e o mestre Rélson Gracie. A música ganhou projeção nacional ao ser interpretada por Baby Consuelo como tema de abertura da novela Água Viva, tornando Petit um mito vivo.

O Menino do Rio: a história real por trás do ícone imortalizado por Caetano Veloso/Foto: Reprodução
O “coração de eterno flerte” descrito na letra refletia perfeitamente sua personalidade: alguém que vivia cada momento com intensidade, entregue ao sol, ao mar, aos esportes e à vida boêmia. Mas, anos depois, o destino mudaria drasticamente sua história.
Na madrugada de 29 de agosto de 1987, Petit estava na garupa da moto de um amigo quando sofreu um grave acidente. A pancada na cabeça o deixou em coma por 40 dias. Sobreviveu, mas com sequelas graves: o lado direito do corpo, rosto e boca ficaram paralisados.
Para alguém acostumado a viver em movimento e sob os holofotes, a nova realidade foi devastadora. Recluso em seu apartamento, afastado da praia, dos amigos e do estilo de vida que o definia, mergulhou em profunda depressão.
Quase dois anos após o acidente, na tarde de 7 de março de 1989, aos 32 anos, Petit pôs fim à própria vida. Usou a faixa de seu quimono de jiu-jitsu para se enforcar. O jovem que inspirou um dos maiores sucessos da música brasileira não suportou o peso do isolamento e das perdas, mas permanece vivo no imaginário popular como o eterno Menino do Rio.
